sábado, 22 de novembro de 2014

21 DE NOVEMBRO DE 2014



Peço ao País que não perca a esperança! Peço ao País que acredite e exija uma revolução! Que aproveite esta onda! Mesmo que o resultado seja frustrante este passo não nos pode baixar a cabeça! Esta data tem de ser a nossa arma. O dia 21 de Novembro pode e deve ser a maior e nova manifestação da exigência do povo! Acorda Portugal! Parece que há um poder que ainda está do nosso lado! Esta é A oportunidade de mudar o sistema decadente em que vivemos!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

PODEMOS?



A 26 de Maio as reacções e as vozes ergueram-se contra as vitórias da extrema direita em Inglaterra e França, não sublinhando da mesma forma a vitória de outro extremo, na Grécia.
Mais uma vitória da extrema esquerda e as vozes enaltecem-na, esquecendo que em causa, de um lado e de outro estão movimentos e partidos, com propostas populistas e com o mesmo potencial em termos de perigo e falência...

Populistas?!
Sim, na medida em que respondem às aspirações de um povo - seja o salário mínimo para todos, ou o controlo da emigração, consoante o país em causa.
Duma forma quase epifanica e surpreendentemente simples debitam em todos os meios as frases feitas das manifestações populares, conferindo-lhes, do alto das suas capacidades oratórias, um estatuto de programa eleitoral.

No próximo dia 15 de Dezembro, o PODEMOS passa oficialmente a ser um partido.
A partir desse dia, o populismo e as suas aspirações, passam a ser metas políticas e eu arriscar-me-ia a dizer que passam a ser as suas promessas de campanha.
Sim. Promessas de campanha. Isto não vos faz torcer o nariz? Não vos soa a mentira?
Ainda que bem intencionados acreditam que no regime em que todos vivemos as promessas se podem cumprir?

Lembram-se do "Yes we can" ? Pois é...não puderam!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

OH CAPTAIN, MY CAPTAIN...



Apesar da sua viúva pedir para nos lembrarmos da sua vida e não da forma como morreu é inevitável pensar na sua morte. Chocante, assustador, abrupto!
Homenagear a vida de Robin Williams é também, a partir de hoje encarar duma vez por todas a pior doença dos nossos dias!

Robin Williams não se suicidou, ponto.
Robin Williams, que fez uma festa na vida de milhões sucumbiu à maior e mais indescritível tristeza...
Hoje estamos todos estupidificados...
As perguntas "como é possivel?" e "porquê?" só encontram uma resposta: DEPRESSÃO.

Acredito em Deus e acredito nas linhas tortas onde escreve e no sentido de humor que Ele tem, tal como tinha Robin. Neste caso imperou a ironia...
A maior gargalhada ficará a ecoar, como quem nos chama à razão!
São as mortes destas vidas que permitem o mundo mudar!
Só será estúpido se ignorarmos!
Só será em vão se apenas chorarmos...
Um dos maiores comediantes do mundo morre de tristeza...
E nós de plateia...

The end.

sábado, 19 de julho de 2014

MH17



"Books, bags, a tourist T-shirt. Ukraine's government said it had received information of looting of valuables and money, and urged relatives to cancel the victims' credit cards."


Quando achas que não pode ser pior, eis que amanhece a segunda parte deste filme de terror.
Dignidade 0.
20 corpos "desviados", acesso limitado e boicotado às equipas de investigação e resgate dos corpos, pilhagem...

É, de facto, um atentado contra a Humanidade.
Um atentado que é óbvio pela morte dos inocentes.
Um atentado latente pelo que faz emergir dessa mesma condição de ser apenas humano, terreno, pequeno e cego. Um atentado latente pelo que acorda de obscuro.

Ou poderei eu desviar a minha atenção apenas para os civis ucranianos que têm tentado, a todo o custo reunir os corpos à beira da estrada?

A bondade é anónima! Não vende, nem gera riqueza… 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

REMÉDIOS E REMENDOS


Quando é que sinto a idade que tenho?
Quando alguma coisa, que me choca profundamente acontece neste mundo e no instante a seguir dou por mim a encolher os ombros…
Porque o meu cinismo já sabe que a vida nos reserva boas doses de tareia emocional…
Porque a minha apatia já sabe perfeitamente porque é que as injustiças acontecem…
Acho até que o mundo está assim porque tem envelhecido connosco, carregando aos ombros o peso de todos os ombros encolhidos…

Não gosto nada disto que aprendi!
Não gosto nada desta indiferença que me permite lidar com muita merda!
Quer dizer, eu gosto. É da maneira que não me afecta, poderão pensar.
Sim, essa seria a vantagem.
Mas a verdade é que quando me apercebo que não me afectou na mesma linha do choque inicial apercebo-me que estou a ficar “crescida”.
Que a minha obstinação está a arrepiar caminho! Que a minha convicção está cansada! Que os meus sonhos estão a apagar-se!

Que afinal e para meu desagrado, vai na volta até caibo neste mundo que só discute remédios e remendos…

quinta-feira, 19 de junho de 2014

CARTA DE AMOR



Podia escrever-te uma carta de amor…
No tempo da guerra era assim que faziam. Mandavam sacas cheias de envelopes com molduras às risquinhas azuis e encarnadas, por avião, para as antigas colónias.

Cartas cheias de novidades! Sobre o casamento da prima Ofélia e a 4ªclasse que o Carlitos terminou, ou o enxoval que a Dª Augusta nos está a costurar e o LP dos The Animals, que a tua irmã mandou vir de Londres.
Cartas cheias de beijos carimbados com batom e folhas impregnadas do perfume que comprei na Baixa e que tu tanto gostas. Folhas separadas com as flores secas que me deste e um retrato meu dentro do mesmo envelope.

Pois é… eu podia escrever-te uma carta de amor.
Podia contar-te umas novidades, mas daqui a 3 dias, tudo mudou! Sabes, é que o tempo hoje não passa. Corre!
E o que sinto? Será que enche tanto papel? Estou certa que sim, mas digo-te todos os dias em quatro ou cinco palavras, escritas em modo telex. Stop.
E se há mensagens onde me aventuro num relato, uso abreviaturas. Como se o “u” e o “e” do “que” me roubassem uma eternidade para os acrescentar...
E há dias em que nem te escrevo. Agora inventaram uns bonequinhos que nos traduzem!
E o retrato? Mandamos selfies!

Podia escrever-te uma carta de amor, mas parece que tal como o cinema nos roubou tantas vezes os livros o Skype roubou-nos as cartas. E o whatsapp aumentou-nos a capacidade de síntese (isto para ser simpática na análise, claro.)

Eu posso escrever-te uma carta de amor…
Bem sei que já nem tenho calos nas falangetas, mas deixa cá ver se encontro uma caneta…

segunda-feira, 26 de maio de 2014

EUROPEIAS 2014


Párem de olhar para o umbigo!
Párem de cantar vitórias! Ou de apregoar derrotas estrondosas!

As eleições de hoje chamavam-se Europeias! Soa-vos alguma campainha, oh cambada?
Saiam do Rato! Saiam da Lapa! Saiam do Caldas! Saiam do Altis e das salas que vocês alugam para olhar para iPads e iPhones e plasmas à espera do tacho que o vosso feudo vos cozinha!

É sobre a Europa! Esse projecto que edificou e garantiu um longo período de paz, de crescimento económico e de sonho de inclusão e justiça social ao longo das últimas décadas!
Saberão vocês ao que se propõem? Estudaram a matéria? Tiraram as palas?
Não me parece…Olhem à volta! A extrema direita conquistou assentos! A extrema esquerda ganhou expressão! A abstenção galgou nas percentagens e virou-vos as costas!

A Democracia continua a dar-vos a chance de prestar contas aos erros e vocês viram as costas aos resultados, mantendo os mesmos discursos vaidosos? Tirando as mesmas conclusões bacôcas? Continuando a desrespeitar quem vos elege ou vos exige uma mudança, recusando inclusive um voto de confiança?

Por menos ignorância não seria eu admitida para porra de projecto nenhum!

Como é que é possível que a feira de vaidades deste país, recém eleitos como eurodeputados extrapole os resultados miseráveis duma eleição, para a governação deste rectângulo?
66% de abstenção! 7% de nulos e brancos! E 17% dos 27% que restam votaram no ping pong!
Vitória? Derrota? De quem?! De quê?
Os efeitos da ruína do projecto europeu vão perseguir-nos como réplicas e as beatas dos partidos deste país continuam a insistir na responsabilidade dos eleitores, reféns duma partidocracia!
Está visto que isto dos resultados eleitorais é como a Biblia. Há interpretações para todos os gostos!
Pois bem, hoje na Europa venceu o protesto! Mesmo nos seus resultados mais absurdos! Pois é exactamente aí que o desagrado e a vontade e a necessidade de mudança se manifesta; nos extremos! Foi sempre assim! E o terreno na Europa está fértil mais uma vez! Fértil de vazio e de espaço para essas parvoíces!

Tudo por causa das vossas palas! Da vossa ambição pelo imediato e pelo “poucochinho, desde que me venha parar ao bolso”! Tudo porque os partidos e as suas beatas mataram as ideias, as ideologias, as visões e os projectos! Abrindo alas às ideologias extremistas, muito simples que atraem moscas como melaço!

Abram os olhos e deixem-se de manifestações ridículas de vitória!
Se a Democracia está nos cuidados paliativos a culpa é vossa! Da classe politica que classe, não tem nenhuma!

domingo, 25 de maio de 2014

VOTAR OU NÃO VOTAR EIS A QUESTÃO...





Em 21 anos de "vida eleitoral" nunca me abstive duma urna! Nem nas presidenciais, sendo eu monárquica.

Em mais de 21 anos fui filiada num partido, fiz campanhas, organizei congressos e comícios, fui eleita presidente de mesa da assembleia duma junta de freguesia, candidatei-me novamente mais tarde, como independente, nas listas para a Freguesia de Alvalade e fui delegada de CNE para contagem de votos.
Em 21 anos nunca me abstive e para além de eleitora participei nesta democracia de várias formas e bastante envolvida.

Em 21 anos defendi o voto e discuti com várias pessoas, incluindo familia, que sucessivamente se abstiveram. Curiosamente algumas dessas pessoas são as que este ano apelam ao voto e criticam quem não vai votar!

Por isso, como democrata que sou prescindir do meu voto, custa-me, mas cheguei a um ponto em que acredito que não votar é a minha única forma de protesto. O único protesto que me resta face à partidocracia vergonhosa da qual estamos reféns.
A abstenção é também a minha única "arma" contra a classe politica que nos tem constantemente enganado e expoliado e não tem cumprido nenhuma promessa de defesa e muito menos nenhum dos deveres a que se propõem como politicos!

Então porque carga de água tenho eu de "cumprir um dever" que me tem valido de nada e que como direito me permite escolher, há tempo demais, "do mal o menos"?
Porque carga de água tenho eu de depositar um voto numa proposta com a qual não me identifico?
Porque carga de água tenho eu de ser criticada por não me rever em nenhuma das propostas e posições actuais? E em concreto nestas Europeias pergunto onde estão as ideias e as propostas? Quem é que as discutiu?

O país e os cidadãos estão reféns de partidos, compadrios e corrupções e é contra isso que a minha abstenção (pela primeira vez!) pretende protestar...

Não voto e quero que saibam, porque só assim assumindo e afirmando é que o meu "não voto" ganha a expressão de protesto!

terça-feira, 29 de abril de 2014

YOLO


Olá vidinha.
Queria-te dizer que não te vou deixar para amanhã.
Não tanto nos grandes feitos, mas sim nos pequenos detalhes.
Já não me enganas, não te iludas.
Não te quero superar, não te quero ultrapassar e sei que não te vou trocar as voltas.
Mas vou-te ludibriar.

És tão egoísta! Morra quem morra, não páras um segundo que seja!
Tu e as tuas curvas apertadas…Vê se entendes que há momentos em que precisamos de travar a fundo!
Não te importas pois não?
És toda dengosa, tão atenciosa nos presentes que nos dás.
Toma lá mais um dia. Toma lá uma amiga. Toma lá uma paixão ou um amor desmedido! Toma lá um filho. Toma lá o mundo...
Tudo envenenado! A tua prepotência não nos escreve um bilhetinho que seja “tem cuidado que um dia posso acordar mal disposta e tiro-te isto tudo!”
Escreves… até escreves. Mas tal como uma linha de crédito esses avisos estão nas letrinhas pequeninas do contrato, que ninguém lê!
Preferes estar escondida não sei bem onde e qual voyeur espiar-nos a todos, muito contentinhos com as tuas lembranças. Tarada!
Tu e o Tempo fazem parte duma conspiração! Tratam-nos como crianças! Dão-nos uma caixa de chocolates que o Tempo nos rouba antes de desembrulharmos sequer!
E tu Vida és duma indiferença, cruel! Até me posso atirar para o chão numa birra ranhosa que te é indiferente! Viras costas porque tens mais que fazer! "Chora para aí que eu tenho de ir enganar outros meninos!"
Já agora diz ao Tempo que ele a mim também já não me engana com a história de que cura tudo!
Podes dizer-lhe, sem medos, que ele para mim não passa dum Bepanthene! Só cicatriza!

Muito bem. São estas as regras do jogo?
Então fica sabendo que vou fazer batota!
Vou-te gozar como me der na real gana! Não me vais apressar, nem me vais pressionar!
Se te quiser saborear à minha maneira farei! Vou tapar os ouvidos aquilo que me ditas!
Assim pelo menos, no dia em que me pregares uma rasteira, no dia em que amues comigo, não terás o gostinho de me dizer "Eu avisei-te! Devias ter feito assim ou assado..."
Não! Ficas sabendo que vou tirar alcance de rede ao tempo e que assim nunca mais ele me vai poder ligar dizendo que já perdi esta ou aquela oportunidade!

Não sossegas pois não?
Eu que me oriente nos caminhos que me escondes e nos trilhos que me ceifas, não é?
Muito bem! Fica sabendo então que ao mesmo tempo que te escrevo, aquele miúdo que não é meu filho acabou de me enviar um desenho que me encheu de orgulho tal qual uma mãe!

Bem feita! Eu disse que te ia ludibriar! 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O "NÃO" DA VIDA


Infelizmente a vida tem me tornado manifestamente cínica e anisosamente acutilante.
Longe de mim fazer uma apologia da tristeza, mas o facto é que me intriga cada vez mais o desespero com que a maior parte das pessoas nega o negativo.

Provoca-me, esta jovem adulta educação assente na felicidade adquirida e no sonho americanizado do “podes tudo” e na crença teimosamente convicta de que valemos muito e vamos lá chegar! Sabe-se lá onde! Todos!
Provoca-me no sentido em que me faz reagir, mal, às frases feitas e aos clichês que a maior parte toma como apoio e incentivo, nas piores horas.
Provoca-me no sentido em que nos tolda a capacidade de lidar com as contrariedades e as vicissitudes da vida. Com a realidade basicamente. Porque se há na vida alguma surpresa, algum lucro, alguma aspiração, e não um facto, essa sim, será a tal Felicidade.
Os factos da vida são na sua essência negativos. A morte certa ao nascer. A dor ao crescer. A perda ao continuar…
Mascarar ou negar a co-existência com isto é só dificultar-nos a vida! O que é fatidicamente certo na vida, passa a ser ainda mais difícil de encarar.

Se há postalinhos que te aconselham a rir a bandeiras despregadas, também os devia haver aconselhando-te a chorar desalmadamente!
É uma manifestação do que sentes. E tem que se manifestar.
Só através do alívio de teres chorado é que recuperas algum conforto.
Acredito que só chorando é que drenamos a tristeza.
Acredito que só chorando é que aguentamos a dor.
Acredito que só chorando é que quase secamos a saudade.

Não podemos continuar a contrariar certas emoções, só porque se convencionou que a vida é uma alegria parva de manhã à noite! Não, não é!
E a alegria da vida reside exactamente em todas estas manifestações. Acredito que só através de todas elas é que nos equilibramos.

Repito que não quero fazer nenhum apologia da tristeza…
Quero apenas acreditar que só através da vivência da tristeza conseguimos a gratidão necessária à felicidade.
Quero apenas contrariar o corriqueiro e afirmar que desistir é uma opção.
Uma opção que implica coragem; e que essa coragem aponta outro caminho possível, ao desistir do anterior.
Quero apenas contrariar o corriqueiro e dar o ombro num velório, sem palavras de apoio ou motivação, sem o habitual “muita força” ou “tens de sorrir, que ele não te queria ver triste”.
Não há força que aguente certos desgostos, a não ser a força do curso natural dos nossos instintos e esses dizem-nos muitas vezes, naqueles momentos, para chorar, para nos calarmos, para nos isolarmos, para perdermos o pio e sentir apenas o choque. Por alguma razão é. Obedeçam! Cedam!

A única coisa que devemos (estou cada vez mais convencida disso) é que temos de ser permeáveis a todas as energias desta vida e devemos manifestá-las no seu momento. No seu processo.
Porque o tempo não cura! Só cicatriza…
Que o faça bem!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A VONTADE E A NECESSIDADE


A minha curta existência e a minha toldada percepção ultimamente têm sublinhado uma diferença curiosa.
Parece que a Vontade e a Necessidade têm géneros definidos apesar de gramaticalmente serem femininos.
Parece que a mulher cai sempre em tentação e o homem conjuga o verbo querer.

Ela tem vontade de comer um quadradinho de chocolate. Ele precisa mesmo de beber uma imperial com os amigos!
Ela cede ao capricho de mais um par de sapatos. Ele precisa mesmo dum par de boxers.
Ela anda com vontade de fazer umas madeixas. Ele precisa de cortar o cabelo.
Ela agora anda numa de Yoga. Ele precisa de jogar à bola para aliviar o stress!
Ela gosta de se demorar no banho. Ele precisa do seu espaço!
Agora deu-lhe para fazer serão no escritório. Ele precisa de entregar o relatório.
Ela tem vontade de progredir na carreira. Ele precisa de chegar a partner.
Ela gostava de ir aos Açores. Ele precisa de férias!
Ela tem vontade de ir ver uma exposição. Ele precisa de ir à Moto Show.
Ela tem vontade de jogar snooker. Ele precisa de dar uma coça ao Vitor que lhe ganhou dois jogos a semana passada.
Ela tem vontade de ter filhos. Ele precisa de procriar.
A mulher também tem as suas vontades… Ele precisa de sexo.
Ela tem vontade dele. Ele precisa dela.

(nota: este blog NÃO é escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico...)

quarta-feira, 26 de março de 2014

A PROPÓSITO DE NADA


E eis senão quando o medo se instala outra vez…
Coisa estranha esta de querer sofrer ou exultar. Esta dependência de tristeza para poder sangrar, como dizia Hemingway. Ou esta obrigação de felicidade para poder criar.
Pior ainda é quando tudo se concentra e não purga!
Ao que já custa acrescenta-se a incapacidade de traduzir e com dor enfrenta-se um silêncio que não se consegue quebrar por não haver palavras para o descrever.

E enquanto sinto sento-me e tento.
Dantes era só o peso da caneta na mão, quieta! Agora a aflição é maior porque a porcaria do cursor do Word não pára de piscar numa imensidão de branco vazio!
E pisca, à espera. Como quem espera com impaciência. E pisca, mal eu hesito depois de apagar, ou mal eu paro, para retomar.
E este é o medo que se instala! Não é pela falta de palavras, mas sim pela falta de sinapses entre elas!
Cada emoção tem um nome, mas nem todas têm adjectivos! Cada uma se sente, mas nem todas têm uma história.
O drama é este novelo entre sentir intensamente esperando que acalme, sabendo que para acalmar (des)escrever me ajuda…

Não baixo os braços! Não sou capaz de te deixar em branco, Folha.
Se não sei como contar o que sinto tanto, enfrento-te de outra forma, Confusão.
Denuncio-te. Falo de ti!

sexta-feira, 21 de março de 2014

DIZ QUE HOJE É O DIA MUNDIAL DA POESIA...


(catarse)

Tenho a força de quem fraqueja
e a certeza de quem se perde.
Que por um minuto que seja
não seja este medo que eu herde.

Se sou o meu sul e o meu norte
e que me levo e me trago sozinha
sou a minha própria sorte
e tenho a sorte de ser minha.

Mas que possa assim revolta guiar-me nos teus gestos
e que me possa carregar com o alívio de me quereres.
Que me bastem os teus olhos em mim quietos,
que me traduzam só o sim e os prazeres.





quarta-feira, 19 de março de 2014

PAI (A DIAS)


Na óptica da homenagem a uma condição que deve ser celebrada e respeitada , o Dia do Pai ultimamente lembra-me sempre a situação desesperante que muitos Pais que conheço vivem em relação aos seus filhos.

A verdade é que a sociedade em que vivemos tem exigido ao Pai uma série de mudanças, na sua condição antiga de “provedor”.
A vida em família tem exigido ao Pai a participação e a partilha duma série de tarefas, em relação à criança, que até há bem pouco tempo eram esperadas apenas da mãe.
A emancipação da mulher, a Mãe criou no seio familiar um espaço que teve inevitavelmente de ser ocupado e compensado pelo homem, o Pai.
 A lei evoluiu ao ponto de um casal dividir a própria licença de Maternidade/Paternidade e há cada vez mais Pais a escolherem esta possibilidade de ficar mais tempo em casa com o recém nascido, permitindo até que a mulher que queira volte mais cedo ao trabalho.
Escolher não amamentar permite que um ou outro se coordene com os biberons.
O Pai de hoje muda a fralda, dá banho, adormece, leva às vacinas, leva ao médico, leva ao colo, leva no carrinho, dá-lhe a papa, dá-lhe a sopa, dá-lhe a mão, canta-lhe, mima, embala…

(Pausa!) nada do que digo acima é uma crítica! O que estou a enumerar são meras constatações. Tudo para chegar onde quero…

Ao Pai hoje exige-se tudo! Prover, sustentar, criar, educar, cuidar, brincar…
E nas famílias o que hoje mais acontece são as separações e aqui é-me inevitável apontar o dedo ao que acho ser uma injustiça: ao Pai de hoje ainda poucos são os direitos que se atribuem num divórcio, em relação aos seus filhos.
Aqui pouco mudou!  A Lei continua a assentar no “obviamente que o melhor para a criança é a mãe”.
Não refuto linear ou totalmente, mas custa-me assistir à tristeza de tantos Pais, que cumpriram o seu papel com gosto, vontade e orgulho e de repente têm na mão uma tabela que lhes permite estar com os seus filhos a cada dois fins de semana, ou durante um jantar às quartas  feiras…
Não é justo que um Pai de repente passe a ter 8 dias num mês para condensar tudo: a brincadeira, a sopa, a fruta, o livro, a bicicleta, a bola, o puxão de orelhas, o arranhão, o bepanthéne, a natação, o estudo do meio, aqueles ténis, o Tobias para dormir, o colo, a mão…

Ao Pai exigimos tudo! Até que ele cumpra o seu papel de Pai, nos dias e horários estipulados.
E não interessa que ao Pai ou à criança lhes aconteça o imprevisível…serão Pai e filho(a) às quartas, aos sábados e aos domingos, de 15 em 15 dias.

É a estes, a estes Pais que dedico o Dia.

sexta-feira, 14 de março de 2014

PORTUGAL: LUTO, SUBSTANTIVO E NÃO O VERBO


Crise é um palavra dita há muitos anos com uma familiaridade leviana!

Agora que a "bomba" rebentou o que mais me entristece, o que mais me revolta já nem é a classe politica!
O que mais me revolta e o que mais me entristece é a mentalidade fatal de quem tem decidido em democracia...nós!!
De quem é a famosa culpa? É nossa! Temos praticado uma democracia onde o voto representa um castigo "politiqueiro" e partidário!
Não pensámos nem agimos "em Português" ou por Portugal!
Sempre que ao longo destes últimos 40 anos alguém se atrevia a dizer uma ou outra verdade, chamando a atenção para as consequências...o que é que fizemos?
Assobiámos, olhámos para o umbigo, para o hoje e só amanhã, vá! Optámos sempre pelo "desenrascanço" pela esperteza saloia, pelo escárnio...
Foram 40 anos de cultura de encosto, de bebedeira colectiva, de deslumbramento, sob a alçada "dos direitos”! São legítimos e felizmente foram conquistados na devida altura! Mas este país embrulhou-se numa mentalidade "cigana" assustadora! Exigimos todos os direitos e repudiámos todos os deveres!
O dever em Portugal tem sido um constante reflexo da inveja e da ignorância! Não se cultivou o mérito! Não se premiou a iniciativa! Não se assumiram responsabilidades, não se enfrentaram consequências, não se exigiram satisfações nem rigor na gestão do erário público!
Não…quem pôde roubou, quem pôde calou e assim se ensinou o povo a cantar o fado, a pedir esmola, a choramingar e a resignar-se!

Revolta-me e entristece-me que nos tenhamos arrastado até aqui, num conluio de ping pong "politiqueiro", reconhecendo valor e carisma a figurinhas "Scroogianas" avarentas e pequeninas que desprezam totalmente a sua própria extensão numa inconsequência espertinha e imediata, de bolso! Figurinhas que me enojam pelo genocídio duma alma, que têm perpetuado ao longo dos últimos anos...
E nós, de plateia a assistir! Sorridentemente refugiados em créditos e gadgets e carros e férias no Brasil e apartamentos com lareira... Claro. Foi isso que nos ensinaram.
Como?!? Só me pergunto com angústia. Como é que um país de Sol, de litoral, de terra fértil, de inteligência, de ambição e conquista, de solidariedade e valores, de identidade e de carisma se deixou deslumbrar e abandalhar desta maneira?!?
E finalmente, como (e desta vez com medo pergunto) como é que um país, tão país, tão português se deprimiu na ilusão e continua a calar a mentira?!?

terça-feira, 11 de março de 2014

LISBOA

Quero começar por agradecer aos meus pais a brilhante ideia que tiveram de me fazer nascer em Lisboa.

Assim foi. Vim aqui parar e mesmo antes do primeiro" buááá" já me diziam alfacinha de gema por culpa do meu avô paterno que também nasceu por cá.
Este avô do meu nome apaixonou-se por uma senhora muito parecida com a Ava Gardner, que perseguiu de eléctrico até à Exposição do Mundo Português e ali se apaixonaram à beira do Tejo.
Esta história que sempre ouvi desde pequenina, não seria tão romântica se lhe faltasse a moldura do rio, as pedras brancas dos Jerónimos, o labirinto dos Jardins de Belém, o mundo aos pés no Padrão dos Descobrimentos e a canela dos Pastéis.
Enfim, tudo isto resultou e o que é certo é que se casaram e tiveram um filho que cresceu em Lisboa e que vive esta cidade com a paixão que só um sociólogo consegue sentir pelos pormenores e pelos cantinhos duma cidade e das suas gentes.
A sorte é que esses olhos são do meu pai! E o meu Pai desvendou-me Lisboa ao longo dos meus últimos 39 anos.

Tal como qualquer outra amiga, de vez em quando encontro-me com ela.
Eu e Lisboa costumamos sair juntas. Combinamos muitas coisas.
É certo que nem sempre lhe ligo, mas Lisboa nunca se esquece de mim!

Há dias em que me perco e me esqueço, mas Lisboa ajuda-me. Lembra-me sempre que os meus olhos verdes não aguentam o seu reflexo sem óculos escuros. Marca-me as horas nos cafés. Faz-me lembrar da fruta nas mercearias e mata-me a sede nos quiosques de ferro.

Lisboa brinca comigo. Faz-me subir calçadas deixa-me descansar nos seus bancos de madeira abre-me avenidas largas e cosmopolitas e estreita-me em becos, travessas e vielas onde ainda me chamam de minha querida.

 Lisboa goza comigo. Prende-me nos jardins enfrenta-me nas cores das fachadas e espreita-me com os óculos de Pessoa ou o monóculo de Eça.

Mas Lisboa faz-me confiar quando me abre as portas do silêncio das Igrejas, quando me guia nas ruas da Baixa, quando se estende aos meus pés num tapete de calcário azul e branco e quando escorrega pelos miradouros.

Lisboa impõe-se quando me deixa sentir-me pequenina e tão sua!

quinta-feira, 6 de março de 2014

A HUVR BOARD OU AS COISAS QUE EU GOSTAVA QUE INVENTASSEM



Esta semana correu por aí um boato virtual sobre a chegada do futuro! Um futuro que nos fazia pairar em cima duma tábua, a 30 centímetros do chão. Loucura!
E eu como fã do Doc e do Michael J. Fox emocionei-me com a novidade! A sério? Já posso? Já posso planar e curvar como se fosse uma pró das manobras radicais?
Não! O estupor do Tony Hawk decidiu gozar com as nossas caras de queixo caído! Só isso!
Como se não lhe bastasse as vezes que nos gozou em cima do skate, fazendo-nos achar que era fácil sacar um 360 Flip… Não sei se te perdoo esta desilusão Tony!

Depois de me recompôr do desgosto desatei a sonhar com mais umas quantas coisas que gostava que fossem inventadas.
Claro que a minha vaidade anseia por soluções milagrosas que ponham termo a dramas estritamente estéticos!
Quantas vezes não desejei ter à mão um frasquinho de verniz cola, capaz de num instante mágico, com uma simples passagem do pincel, reconstruir e fazer crescer na perfeição a unha que parti ao abrir a lata de atum?
E imaginem a alegria meninas, se logo após aquele telefonema dele a convidar-nos para ir à praia pudessemos abrir um frasco e tomar um comprimido que em 5 minutos, no duche, nos fazia cair os pelos de todas aquelas zonas que tanto depilamos!
Mas o meu maior sonho de futilidades é a invenção do Photoshop… em creme! Um pequeno boião que nos apagasse e corrigisse vezes sem conta tudo o que não queremos ver ao espelho! Que sonho!

Desci à terra e ralhei comigo mesma.
“Susana há com certeza coisas mais importantes que gostarias de experimentar, não!?!” Há, claro… Gostava que se “desinventassem” todas as doenças. As mortais. As que não têm cura e nos fazem definhar! Devíamos todos morrer doutra forma; transformarmo-nos em fumo ou em nuvens, como queria o José Gomes Ferreira, “Na morte de Manuela Porto”.
Gostava que “desinventassem” as armas! Que um murro ou um puxão de orelhas bastasse.
Gostava que “desinventassem” o dinheiro. Que as trocas directas nos valessem novamente e que a água e todas as energias fossem um bem comum, acessível ao consumo de todos, duma forma sustentada e responsável.
Mas isto talvez não sejam vontades. Acho que são utopias...
Por isso voltei aos desejos. Ao que eu gostava que fosse inventado...
E aqui voltei à falta de originalidade. Sim, também gostava que se inventasse o teletransporte!
Que as filas de trânsito na ponte acabassem de vez e a praia estivesse sempre ao alcance de um estalar de dedos. Ou que a mesa marcada no restaurante e a noite de copos no Bairro não nos obrigassem a 35 voltas ao quarteirão ou a 40 minutos de espera, mais 24 manobras e 7€ para estacionar no parque!
Também achava muita piada se houvesse uma “bebida de propulsão” que nos permitisse num gesto súbito disparar num salto longo e muito alto, capaz de ultrapassar velhinhas nas ruas estreitas da Mouraria, ou atravessar a Avenida da Liberdade dum lado ao outro sem ter de esperar pelo verde do semáforo. Ou que num instante o salto nos levasse da Baixa a todos os miradouros!
E depois lembrei-me que no primeiro lugar dos meus sonhos de engenharia biomédica está a possibilidade de controlar o volume da nossa própria audição!
Não seria fantástico podermos regular os decibéis do mundo com o poder da mente?
Não mais martelos pneumáticos às 8 da manhã! Não mais remixes da Adele vindos da casa da vizinha! Não mais estórias de vida do palerma do gabarolas que nos ofereceu uma bebida na festa de anos da nossa amiga. Que sonho!

Mas se calhar é melhor eu ficar por aqui, senão ainda algum maluquinho se inspira e inventa uma aplicação de “Shazam de pessoas”…

terça-feira, 4 de março de 2014

AS (TAIS) APARÊNCIAS QUE ILUDEM...


Naquele café de bairro, à hora da saída da missa, aquele casal que entrou destoava de tudo e entre todos.
As mesas estavam quase todas ocupadas, com famílias inteiras, com o carrinho de bébé da praxe entre cadeiras, velhinhas habitueé, domingueiros e ciclistas de passeio, bebendo café de capacete.
O casal parou por uns segundos no meio do café, à vista de todos, que nitidamente tentavam ser discretos nos olhares.

Ela tinha para cima dum metro e oitenta. Morenaça vistosa, maquilhada mais para sábado à noite do que para domingo de manhã. Bunda imperativa (sim era brasileira) em calças de ganga manchada, a rebentar de justas! Para completar o blusão era de napa cor de rosa “bubble gum” e das mangas, do pescoço e do umbigo à mostra espreitavam tatuagens cheias de cor, símbolos chineses e muitas flores.
Ele tinha para baixo dum metro e 70, sem contar com a área que os músculos “anabolizados” ocupavam. As calças eram de fato de treino, bem gastas e a t-shirt, eu acho que já não lhe servia há muito tempo, ou então foi à máquina e encolheu! O blusão do fato de treino tinha uma capuz, consideravelmente maior que a cabeça dele, dando-lhe um aspecto de “suspeito dum caso de máfia à saída do tribunal, tentando-se esconder das câmaras”. Não contente com o disfarce, ainda trazia uns óculos escuros espelhados, completamente despropositados, considerando que lá fora o dia estava mais para lusco fusco de final do dia, do que para meio dia e sol a pique.

Perante tudo isto o café abrandou, no mínimo…
Não, não é bonito fitar ninguém, mas aquele casal destacava-se e era impossível refrear a curiosidade.
Eu acho que alguns até se sentiram meio intimidados. O aspecto era duro, quase agressivo. Talvez por que nem sequer sorriam…

Os segundos que passaram neste escrutínio acabaram com eles sentados na mesa ao meu lado.
Voltei à revista que estava a ler e de onde fingi nunca ter saído.
O empregado aproximou-se para os atender:
- O que é que vai ser?
Ele finalmente tirou os óculos. Pensou, passando os dedos pela barba desenhada nos seus largos maxilares:
- Traga-me um chá verde e uma torradinha…

?!?


domingo, 2 de março de 2014

OS "TELEDISCOS"



Há uma opinião que gosto consideravelmente de expressar de vez em quando: “isto é tão gratuito!”

Gosto deste conceito, não literal. Bom literalmente também me agrada, quando vale a pena!
Gosto porque resume. Resume o pouco esforço de quem se pronunciou, de quem se expôs ou tentou criar.
Gosto porque aponta a redundância, coisa que não gosto. Gosto porque denuncia o previsível, condição que me desilude.
E gosto pelo tom blasé da expressão; porque tenho de assumir que o sou, muitas vezes…
Porque ser blasé acompanha algum sarcasmo, figura de estilo que me atrai, pelo perigo da fronteira ténue entre a ironia, a ofensa e o humor (e aqui também assumo a tentativa “gratuita” de me justificar!)

Hoje falo nisto por causa duma estupidez. Óbvio…
Uma estupidez que tem passado vezes sem conta na MTV. O vídeo da Shakira com a Rhianna!
Eu avisei-vos que era estúpido! Mas são 3 da manhã e não dá para mais!

Primeiro que tudo, mas não o principal, os cenários. Quem é que põe uma cama no meio das escadas?
Segundo e por aqui me fico porque não há muito mais enfoque, toda a música parece dizer respeito a uma amarga e nociva atracção por um belo rapaz, que pelos vistos é um engatatão de primeira porque conseguiu sacar a Shakira e a Rhianna, que estão danadas por não o conseguirem esquecer!
Ora eu cá, quando quero desabafar com uma amiga a respeito dum belo malandro, não costumo fazê-lo semi-nua! Além disso os lamentos não nos inspiram “cuzadas” nas paredes, nem nos dão uma súbita vontade de confirmar se a tinta é Cin acetinado ou se o papel de parede arranha!
Curiosamente entre raivas e queixas, também não nos dá para fumar charutos em chaise-longues, deitadas lado a lado de pezinhos encostados na cara uma da outra, espreguiçando-nos, contorcendo-nos ou aproveitando para fazer uns exercícios de abdominais e glúteos.
Não meus amigos, isto não acontece! Muito menos entre 3 penteados diferentes, cabelos ao vento, vindo sabe-se lá de onde ou em cima de saltos de 10 centímetros!
Nada disto acontece entre amigas, nem mesmo quando falamos de sexo.
Por último quero acreditar que a minha amiga e eu, falando, cantando ou discutindo, não soamos a duas ovelhas a balir!

Posto isto, e porque a televisão está sintonizada na MTV há 3 horas, só me apraz dizer “que coisa tão gratuita”!
E era isto. Hoje era só isto!




sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A FOLHA BRANCA


Uma folha em branco também conta uma história. A história de alguém cheio de emoções a gritar na cabeça, contando que a mão a oiça e dê ordens à caneta! Às teclas, que caneta era dantes...
Uma folha branca é bem capaz de contar uma discussão. A discussão entre a razão e o coração, que insiste em calá-la! E os suspiros que lhe tiram o pio! E o sorriso que se estampou no rosto e nos desvia a atenção e nos tolda os alertas! E abre a porta ao corpo que nos segreda e nos traduz tudo o que somos nesse momento: desejo! (Que presunção! Como se esta dormência nos tranquilizasse...)
Eu sei do que quero falar! Mas perco-me! E não é de hoje...
É desde quando te vi pela primeira vez, achando que nem reparaste! Achando que não tinhas percebido que disfarcei.
É desde quando percebi que os meus olhos já fugiam descaradamente da tua expectativa!
Sinto, desde do momento em que me arrancaste um "olá" tremido (tímida, eu?!?)
Sinto tudo, desde esse "Porquê"!
E mais uma vez hesito... Já te disse, perco-me!

QUE NÃO NOS ACORDEM...




Todas as semanas há que estraçalhar alguém ou alguma coisa nos meandros das redes sociais!
No início desta semana foi um tal de Nuno Ferreira, que nasceu no segundo mês dos anos 80 e gosta de gelatina de morango…
Antes demais permitam-me sublinhar que nasci no primeiro mês dos anos 70 (embrulha Ferreira!) e adoro arroz doce!
Prosseguindo! No meio de alguns disparates, que começaram aqui na gelatina de morango e terminaram sabe Deus onde, porque ele próprio se perdeu atabalhoado no seu raciocínio, eu fui lendo, encolhendo-me entre “ais” e “uis” na antecipação das acusações habituais (fascista ganha aos pontos!) esforçando-me a retirar alguma conclusão, mas não tive outro remédio senão voltar ao título “O sonho não comanda coisíssima nenhuma” e cingir-me à ideia subjacente de tudo isto, que não refuto, de todo! (quer dizer… eu quero acreditar que a intenção era esta!)

“O português quando nasce, nasce sempre para ser grande. Mas por qualquer razão nunca passa de mais um pequenino. E a culpa nunca é dele. É da crise, dos mercados, da Europa, do azar ou do Topo Gigio.” (esta referência ao Topo Gigio safou-te, Nuno Ferreira!)
Isto, quer se queira, quer não, é verdade! Basicamente o que o Nuno nos tentou dizer foi: deixem-se de tretas!

Eu não menosprezo o sonho, mas digo que ele por si só, não chega! E muito menos nos dá o direito de reclamar ou lamentarmo-nos se acordarmos afinal para um “não, não aconteceu” ou um “não, não vai dar”!
O sonho só comanda a vida no sentido em que nos aponta os próprios sonhos na juventude, os objectivos na idade adulta e as metas na velhice.
Não, não é pouco este domínio, mas sonhar, querer ou desejar, isso todos nós sabemos fazer!
É ou não verdade, que há muita gente (nova principalmente) que chora muito e se sente injustiçada porque o júri dos “Idolos” lhes disse que eles não sabiam cantar e afinal a mãe fê-los crescer até ali, dizendo-lhes que são lindos, perfeitos, cantam maravilhosamente bem e são capazes de tudo?
Pois… sim, filho nosso é sempre lindo, mas amor de mãe é surdo! E eles nem sempre cantam lindamente e não são os “máiores” em tudo! E é bom que eles saibam, cedo, se faz favor!

Porque é preciso ter coragem para saber desistir! E é preciso ser enorme para se saber  reinventar!
E é preciso saber ser feliz, para saber dar valor ao que se tem e ao que se deseja, sem viver na angústia do que se quer, não tendo!
Não, não é o sonho que comanda a vida! É a perseverança e a lucidez, talvez...
Não, não basta querer! Isso é só meio caminho andado!
Não, não é a sorte que faz as coisas acontecerem! Porque sorte é quando a vontade encontra a oportunidade!
A culpa? A culpa é da tradição que nos educa para sermos felizes, com todo o direito e obrigatoriedade! Sem nos avisar que é bem provável encontrarmos 325 mil frustrações, decepções, desgostos e derrotas!
Que o mundo se eduque, para lidar com a realidade! Porque sonhar e querer, todos somos capazes e faremos! Mas nem todos, nem todos conseguirão...e só alguns, só alguns se perderão!

O copo meio cheio? O copo meio vazio? Ou só a realidade, nua e crua?

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

SAÍ DO ARMÁRIO!




A propósito de Ellen Page (na publicação anterior)… decidi também sair do armário: sou heterossexual! Não, não sou lésbica! (ooohhhh ouve-se um masculino uníssono…)

Perante o entusiasmo que gerou a assunção de Ellen Page deduzo que a orientação sexual de cada um seja um requisito público.
É que perante os aplausos pergunto: é alguma habilidade? Tipo acrobacia de circo, “allezhops…tcharan”?
Sem deixar de reconhecer que o discurso desta actriz fez todo o sentido, dado o contexto, esta necessidade de afirmação constante de algumas personalidades, do nada, só porque sim, cada vez me soam mais a manobra comercial, tipo vídeo pornográfico da Paris Hilton.
Enquanto uns gostariam de assistir a mais manifestações destas eu sinceramente preferia que isso não fosse necessário! A que propósito é que a vida privada de alguém deve ser exposta desta forma?
Durante anos lutou-se pela diferença, pretendendo-se a igualdade! Durante anos lutou-se contra o preconceito, pondo em causa as pessoas que alteravam os seus comportamentos e as suas condutas para com alguém, apenas por causa da orientação sexual. E concordo, a minha intimidade não vem ao caso na altura duma promoção profissional, ou num atendimento na loja, ou na marcação duma viagem, ou noutro contexto qualquer…
O que é que eu quero dizer com isto? Que igualmente, para mim, também não faz sentido nenhum, que a orientação sexual seja um factor a ter em conta numa entrevista de trabalho, para uma função que dá, verbalmente assumida, preferência a homossexuais (e não, não estamos a falar de go-go dancers. Era uma vaga para vendedor numa loja de roupa). Para mim não faz sentido nenhum a existência de hotéis, praias ou clubes Gay (sítios geralmente fantásticos, porque todos sabemos que um gay tem jeito para estas coisas). A mim sinceramente soam-me a guetos. Se existissem hotéis, praias ou clubes manifestamente hetero, não seria discriminação? Incoerente, no mínimo, não?
Acho que tudo o que é demais enjoa e nos dias que correm em que as discussões sobre esta temática já passaram para outros patamares e finalmente é a igualdade que se discute, estas manifestações arriscam-se a ridicularizar o assunto.
De cada vez que alguém se “assume” lembro-me da Jodie Foster no seu discurso nos Globos de Ouro em 2013, quando se assumiu indubitavelmente…solteira!
De cada vez que alguém se assume penso na Ellen DeGeneres que curiosamente conseguiu um bem sucedido talk show e uma grande reviravolta na sua comatosa carreira à conta da capa “Yep I’m Gay”.

Em suma, já tinha pensado em assumir-me antes! Até porque gostava de participar numa “Orgulho Hetero Parade”… Mas no segundo a seguir antecipei a quantidade de comentários sarcásticos e azedos, apontando-me o dedo e acusando-me de homofóbica! Desisti...
Porque mais um bocadinho desta histeria e começo eu a queixar-me de heterofobia!
Para além de que, muitas destas atitudes contribuem à brava para uma sociedade doente e altamente americanizada, de rótulos e bandeiras hasteadas, em detrimento do próprio nome e da própria personalidade!

P.S: neste preciso momento alguém concluiu "hmmm tanta conversa, tanta justificação está-me cá a parecer que a Susana prescisa de sair do armário" I rest my case...



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

SMARTDAY

Hoje o meu dia foi tão 80's. O meu telemóvel lerpou! (expressão daqueles tempos)
Como? Como é que vivi metade da minha vida sem ti telemóvel?!? No entanto o desnorte acalmou, porque quem me quis encontrar, afinal, encontrou-me. Liguei para o fixo dos meus pais e até liguei para a tua extensão.
Que liberdade! E aqueles momentos "snapshot" guardei-os atentamente na memória, sem outro remédio, apesar do impulso! Não sei se te vou actualizar o software, smartphone... hehehe
Para ser perfeito precisava de acabar o dia deitada na alcatifa do meu quarto, atrás da porta, colada ao meu telefone em forma de hamburguer, para te contar sobre o beijo que lhe dei, no sábado à tarde, no cinema. Fomos ver o "Império do Sol"! Ele é "um pão"! Mais giro que o Christian Bale...

Ooops! O meu pai mandou-me um berro! Estou ao telefone há mais duma hora! Tenho de desligar...

ESCREVENDO...

Escrevo porque sempre o fiz desde que me lembro...
Escrevo porque desde de pequena que tenho esta mania de ter opinião sobre tudo!
Porque me oiço constantemente escrevo para que não me tenham de ouvir. 

Escrevo para que não me mandem calar!
Escrevo porque é mais democrático, só me lê quem quer!

Escrevendo posso continuar a fazer uso das palavras ao sabor tirano de quem, como eu, delas abusa para registar tudo o que não lhe escapa, tudo o que me rodeia, porque concordo com Ortega y Gasset...
Quem me lê deve concordar que é triste a demissão daqueles que fecham os olhos ou se contêm perante o que lhes toca, o que os intriga ou o que lhes indigna!
Escrevo porque não gosto de armas, mas sou guerreira! 

Escrevo porque não tenho paciência para histerias, mas sou passional!
Escrevo por amor aos verbos que se conjugam nas mãos de quem escreve.
Escrevo para sonhar acordada, para inventar realidades, para viajar nas ideias; escrevo para atiçar o pensamento, para troçar dos costumes, para contrariar os hábitos.
Escrevo para reagir, para revolver o passado, para espelhar o presente e para espreitar o futuro.
Acredito em Deus, mas não custa nada ajudá-lo a eternizar quem somos, deixando escrito...