Tenho menos palavras do que há um ano atrás quando me morreste.
Tenho menos fôlego e menos força.
Por esta hora, o ano passado, quebrei-me.
Em terra ficou a minha existência pragmática, autómata e vazia.
As emoções e os sentimentos que nos fragilizam ficaram a pairar à espera do momento em que me pudessem encontrar de novo. Um ano depois, à mesma hora, chegaram.
Vieram devagar, pelas estradas dos últimos dias e avisaram-me de cada vez que me lembrei de cada um dos teus últimos momentos. Ou dos meus contigo.
Já sou outra e só agora é que voltei a ter medo, mas prometo que só choro hoje pai.
Depois voltarei a ser aquela que cá deixaste, bem feitinha, bem crescida e bem construída.
