quinta-feira, 30 de julho de 2015

PORQUE O PRECONCEITO NÃO SE RESERVA SEMPRE AOS MESMOS





Sou Católica, mas tenho ideologias políticas inspiradas na razão da leitura e nas acções do Homem.

Sou Católica, mas pasme-se que não casei e mesmo assim me aventuro, com gosto e sem culpa, no sexo sem fins reprodutores, usando preservativo e tomando a pílula!
Sou Católica e pasme-se que tenho bons e íntimos amigos homossexuais, sem vergonha nem estandarte (até porque resistindo aos pensamentos homicidas e de extermínio prefiro inflamá-los em pedófilos e assassinos, crápulas e escroques…)

Sou Católica e incorro em condutas que a Igreja me critica, mas pasme-se, não me angustio nem berro pela sua aprovação!

Sou Católica e pasme-se que não me confundo quando falo de aborto ou IVG.
Sou Católica e pasme-se sou Feminista, apesar de haver quem considere que as duas facetas não cabem no mesmo saco.

Sou Católica, infelizmente não vos consigo surpreender dizendo que sou de esquerda, mas não deixa de ser curioso que o primeiro protagonista e defensor das causas sociais e da consciencialização humana tenha sido Jesus, um indivíduo que diz que era muito especial e carismático, com o dom da retórica e que parece ter vivido algures no médio Oriente há 2000 anos atrás… (não liguem, que são só histórias de fadas em que esta gente acredita)
Sou Católica e pasme-se, o Papa Francisco não me surpreende pela diferença do pensamento!

Sou católica e não boicoto nem ataco a religião dos outros, porque sendo Católica entendo a dimensão espiritual de cada um.
Sou Católica e acho que o Estado devia ser efectivamente agnóstico, por respeito a todos. Por respeito aos direitos e deveres de todos, afinal porque carga de água devem os ateus, hindus, budistas ou muçulmanos celebrar os feriados Católicos?
Sou Católica e longe de mim reivindicar que outras religiões devam professar a minha verdade e os meus cultos!

Sou Católica, mas pasme-se que sei bem em que mundo vivo!

quinta-feira, 23 de julho de 2015

PAI




A minha enciclopédia rasgou-se... As minhas certezas calaram-se! As minhas tempestades, as minhas teimosias, a minha avidez, tudo congelou.

A minha mão direita foi decepada!
A minha mão direita que não largou a tua até ao final. A minha mão direita de gestos constantes de dextra, que foi esmagada nos teus últimos suspiros.

Eras a minha acção, mais firme e segura!
Sempre foste os meus membros, desde o dia em que me fazias dançar sobre os teus pés.
Nunca me deixaste de guiar. Fosse puxando-me. Fosse empurrando-me.

O meu norte escureceu, mas não me deixaste desnorteada, Pai. É com a mão direita que te escrevo. Continuas no meu rumo e sei quem queres que eu seja!

A minha mão direita na tua, sempre!