Um blogue com sintomas de vontade parva de escrever sobre tudo, ou sobre nada. Se o Seinfeld fez uma série nessa permissa eu também posso ter um blogue aí assente, ou não? Um blogue com sintomas de opinião e um prognóstico reservado à liberdade de expressão. Tudo com mais (ou menos, se me apetecer) caracteres do que aqueles que o Twitter me permite e tudo em sede própria, porque o Facebook às vezes cansa-se de mim.
domingo, 19 de abril de 2015
19 de Abril de 2015
Olá Rute. Nunca falámos dos 40. Dos 40 anos que farias hoje...
Não chegaste sequer àquele dia em que falaríamos sobre um futuro mais próximo.
Viemos juntas desde os 13 anos, carpindo a adolescência e conquistando a vintena.
Partilhámos a liberdade e as alegrias de todas as primeiras vezes, de tudo o que aqueles primeiros anos de adultas nos proporcionaram! Aqueles anos em que nos fomos adivinhando umas às outras, na cumplicidade do que queríamos ser! Aqueles anos bem próximos do salto que demos sobre tudo o que sabíamos que não nos ia mais separar!
Entrámos nos 30 com essa certeza! Com a convicção dos caminhos que escolhíamos a cada decisão tomada, sempre a 3! Nem sempre ponderadas, mas sempre apoiadas pela diferença que cada uma de nós aportava à união. Numa irmandade que a vida nos ofereceu para lá da nossa família!
Entrámos nos 30 com sangue na guelra! Cravadas umas nas outras com a certeza, mais do que absoluta, de que a nossa amizade era um escudo inabalável!
E no alto dos 30 – aquele degrau que não sabíamos que para ti era o último – permitimo-nos a imaginar com graça uma velhice a 3, que incluía cabelos brancos arroxeados, batom nos dentes (quando não nos esquecíamos da placa), voz rouca e barbitúrica, carrapitos, cigarrilhas, refrescos de whisky, bengalas com cabo de prata e chá na Mexicana!
Ali, entrando nos 30 e celebrando a conquista de quem afinal já éramos, não falámos dos 40. Estavam mais longe que os 80 que podíamos parodiar.
Ali. entrando nos 30, o que contava eram os planos que fazíamos para cada dia. Os planos que serviam a um presente que achávamos maior que tudo! Um presente que sabíamos ser um trampolim, para o que sabíamos que queríamos ser! Porque sabíamos que amanhã seria garantido pela nossa maestria!
Rute, a nossa amizade era um escudo inabalável, mas aqueles "amanhãs" vieram gorados!
Precipitaram-se no que queríamos que crescesse mais devagar! Empurraram-nos para o que não queríamos reconhecer, de voltas trocadas, de caminhadas coxas, de páginas arrancadas a um livro que só agora, talvez consiga voltar a escrever…
Anos turvos e desorientados! Sem pé! Que se sucedem, aos solavancos!
Farias 40 anos hoje, Rute! Nunca falámos sobre isso...
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