sexta-feira, 22 de julho de 2016



Tenho menos palavras do que há um ano atrás quando me morreste.
Tenho menos fôlego e menos força.

Por esta hora, o ano passado, quebrei-me.
Em terra ficou a minha existência pragmática, autómata e vazia.
As emoções e os sentimentos que nos fragilizam ficaram a pairar à espera do momento em que me pudessem encontrar de novo. Um ano depois, à mesma hora, chegaram.
Vieram devagar, pelas estradas dos últimos dias e avisaram-me de cada vez que me lembrei de cada um dos teus últimos momentos. Ou dos meus contigo.

Já sou outra e só agora é que voltei a ter medo, mas prometo que só choro hoje pai.
Depois voltarei a ser aquela que cá deixaste, bem feitinha, bem crescida e bem construída.


quarta-feira, 11 de maio de 2016

ENTÃO E OS ALUNOS?


No meio de toda esta polémica sobre os contratos associação das escolas privadas o que mais me intriga e incomoda é a ausência de sugestões que salvaguardem a justiça no acesso à Educação, que é afinal obrigação do Estado.
Tanto do lado de quem se opõe (com argumentos que tendem a nivelar um país na mediocridade, em nome da igualdade) quanto do lado de quem defende (com o argumento da liberdade de escolha, que é afinal irreal e incongruente) parece que ninguém reconhece que a justiça na igualdade (de oportunidade, que é nisso que acredito) de acesso à educação ou a liberdade indivudual de escolha só será garantida se o Estado assumir de facto a prioridade Alunos (e não sindicatos) e a obrigação de acesso à educação por parte de todos, apoiando de forma igual, justa e simplificada, o núcleo de todo este universo: as Familias.
Em suma, não consigo entender como é que no meio de toda esta discussão inquinada por ideologias políticas ou populismos e demagogias da gerigonça, não haja uma voz que fale do Cheque Ensino! Distribuído a todas as familias, de igual valor e que lhes confira real liberdade e justiça.

quarta-feira, 16 de março de 2016

ENSAIO SOBRE A POUCA PROBABILIDADE


Quando ela morreu as vozes foram unânimes, recordando-a.
Que se tinha perdido uma grande mulher.
Era uma mulher boa, uma mulher gentil e generosa. Uma mulher carinhosa.

Uma mulher bem disposta. De sorriso constante. Que arrancava gargalhadas.
Uma mulher cheia de mundo que adorava conhecer pessoas e as suas histórias.

Era uma mulher bonita e cativante. Foi sempre uma boa-vivant.

Ela amava os homens. Deixou muitos corações viúvos. Nunca foi mulher de um homem só.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

CRÓNICAS DO POLITICAMENTE CORRECTO 2: FEMINISMO E TAL...





LGBTQIA+ ou PdC ou "white middle class cis woman" (e aqui presumo que não saibam que sisters se escreve com "s") ou "Queer feminista" ou TERF's...

Tudo isto, não são versões nem cilindradas de um veículo automóvel, mas ao que parece são rótulos, carimbos e guetos de identidade que choveram numa discussão sobre Feminismo.

Se dúvidas eu tivesse sobre a forma como se reivindicam os direitos hoje em dia, sanei-as com esta discussão.
Há de facto uma quantidade imensa de gente que se ocupa e se preocupa com semântica e textos e palavras, desprezando os actos e exercícios da simples vivência das ideologias.

Além disso estas tribos - que já nem de costumes se caracterizam, mas sim de símbolos e siglas - têm uma tremenda dificuldade em conviver com quem recusa um crachá e ousa apenas ser quem é e quem se sente ser.
Quase sempre recorrem a paternalismos, começando por dizer, duma forma "terapêutica" e apaziguadora, como se eu precisasse de controlar os nervos "não Susana, tu és o que eu te estou a dizer que és..." seguido de um atestado à minha ignorância "tu é que ainda não percebeste que..." e culminando com sugestões para uma vida mais iluminada e cheia de epifanias "aconselho-te a ler o livro da (inserir nome que ninguém nunca ouviu falar)" ou arremantando com indicações de tratamento "devias vir às reuniões do grupo (inserir uma qualquer sigla, de preferência estapafúrdia, porque ao que parece, hoje em dia, ninguém pode viver apenas com um nome próprio e apelido...)

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

CROMOS DA REPÚBLICA



10 Milhões de Euros para 340 pessoas! São 10 milhões de euros!
É este o valor que hoje conhecemos, no dia a seguir àquele em que milhares de reformados foram contentes e expectantes ao seu banco, para levantar as pensões "incrementadas" até 600€ e "deram com os burrinhos na água"!

10 Milhões de Euros, com retroactivos, para 340 coitadinhos, que segundo o parecer do Tribunal Constitucional, foram lesados na confiança que depositaram no Estado...

10 Milhões de Euros para 340 pessoas e um país inteiro, mais uma vez assaltado e sistematicamente lesado e fustigado, não se ouve!
Não tuge, não muge, nem urra, mas no próximo domingo levantar-se-á para votar em mais uma figurinha, que em nada lhe serve.

domingo, 10 de janeiro de 2016

CRÓNICAS DO POLITICAMENTE CORRECTO 1


As últimas semanas do ano atrasado e as primeiras de 2016 têm-me deixado estarrecida com a velocidade e notória escalada da ditadura do politicamente correcto!


Primeiro foi um frenezim desgraçado com a tal penalização do piropo. Mulheres e homens descabelaram-se veementemente contra as palavras ordinárias, as abordagens manhosas e as bocas foleiras que há anos, muitas mulheres ouvem na rua.
Curiosamente estes mesmos histéricos fecharam-se em copas perante as notícias sucessivas sobre os ataques sexuais – com assaltos, agressões físicas e violações, algumas em gangue – cometidos sobre muitas mulheres, duma forma surpreendente e coordenada, em diferentes cidades europeias, na noite de passagem de ano.
Calaram-se perante Colónia, disfarçaram perante Zurique, mas a pressão da notícia de mais alguns acontecimentos semelhantes em Helsínquia abriram a boca a umas quantas ofendidas, que se apressaram a falar de cabalas e conspirações articuladas contra os refugiados, chegando mesmo a comparar a misoginia da cultura muçulmana com o machismo português!


Tudo isto em nome do que têm, porque têm, de preservar no seu mundinho politicamente correcto, obediente à estupidez de um discurso vigente.
Deus as livre (ou outra entidade qualquer, porque tendem a não acreditar nessas balelas, também elas machistas, quanto mais não seja porque Deus é dito no masculino e podia perfeitamente ser uma Deusa!) de franzir o sobrolho intrigadas ou desconfiadas, sobre esta coincidência de timings e envolvimentos, ou mesmo a incontornável constatação sobre a forma, mais do que famosa e evidente, como tendencialmente alguns muçulmanos destratam as mulheres.

Para esta brigada de revoltosas há termos (a saber: refugiados, raça, “cultura”, muçulmanos…) que independentemente do sentido que têm nas frases proferidas, as fazem gritar pavlovianamente: XENOFOBIA!

Há efectivamente um grupo de pessoas que nem perante uma faca no pescoço, uma penetração não desejada, uma bala entre as costelas ou um ente querido numa pilha de escombros rebentados, se permite a reconhecer que todas as medalhas têm dois lados, que o mundo não é a preto e branco e que de facto há uma real possibilidade daqueles barcos não trazerem apenas desgraçados, assustados e bem intencionados.
Não, nunca! Isso do bom senso é XENOFOBIA!