Um blogue com sintomas de vontade parva de escrever sobre tudo, ou sobre nada. Se o Seinfeld fez uma série nessa permissa eu também posso ter um blogue aí assente, ou não? Um blogue com sintomas de opinião e um prognóstico reservado à liberdade de expressão. Tudo com mais (ou menos, se me apetecer) caracteres do que aqueles que o Twitter me permite e tudo em sede própria, porque o Facebook às vezes cansa-se de mim.
domingo, 25 de janeiro de 2015
O DEBATE DA ADOPÇÃO POR CASAIS DO MESMO SEXO
Primeiro que tudo considero esta proposta uma evolução, inevitável, como todas são, tanto do ponto de vista social, quanto do ponto de vista legal, visto que ao se ter aprovado o Casamento entre homossexuais, inscrevendo na Constituição que “Casamento é o contrato celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida, nos termos das disposições deste Código” se inscreve desta forma o direito implícito de todas as pessoas constituírem família.
Posto isto há porém alguns contornos desta discussão que não posso deixar de denunciar e refutar.
Não se pode assumir que esta medida pretende na sua máxima prioridade defender o direito supremo das crianças. Esta medida será aprovada, acima de tudo, na defesa dos direitos dos homossexuais. É isso que esta medida pretende - incluir o direito de acesso de candidaturas de casais homossexuais a adoptantes.
Até na própria denominação da proposta parece haver uma manobra semântica. Porquê chamar “Adopção entre pessoas do mesmo sexo”? Falamos de tios? Primas? Amigos? Amigas? Não. Falamos de homossexuais, assumidos e unidos. Qual é o problema do termo?
Assim sendo, não posso corroborar a mensagem que se tem transmitido, de que esta lei seja a “salvação” para tantas crianças institucionalizadas.
Querer passar a mensagem de que esta questão seria a solução para mil e um problemas, que ainda existem no seio do sistema nacional de adopção é uma falácia e é faccioso!
Anualmente e a nível nacional há, em média, 500 crianças aptas para adopção e 2000 candidaturas de adoptantes. Que posteriormente se traduzem, também em termos médios de 70 a 90 adopções plenas. Ou seja, não faltam candidatos, vontade e amor! Faltam sim, condições, celeridade, reformas e medidas, que a meu ver são ainda mais urgentes de debater a fim de incluir então, todos neste processo.
No entanto, não me lembro, infelizmente, de debates, medidas e propostas de reforma sobre a Adopção, as Instituições e a Comissão de Proteccção de menores, em Portugal…
Quanto à questão da hipocrisia, que tanto se brada é um disparate acusar alguém que vote em consciência com os seus princípios e valores, de hipócrita (apenas por não se concordar)!
Além disso é absurdo e extremamente ofensivo falar de homossexuais que votam contra ou se abstêm, apontando-lhes o dedo como hipócritas ou encapuzados.
Que eu saiba ser homossexual, não é fazer parte duma “tribo” que se rege obrigatoriamente pelos mesmos costumes e regras.
A acusação e a ofensa sobre estas pessoas é igualmente preconceituosa e discriminatória.
Encaro um homossexual como uma pessoa igual a todas as outras, que independentemente das suas escolhas, das suas opções ou do seu modo de vida encerra em si mesma uma personalidade própria e diferente de tantas outras. Personalidade essa que lhe permite, com toda a legitimidade uma miríade de opiniões.
Não consigo aceitar uma “obrigação” latente e implícita de assumir seja o que for, ainda para mais quando diz respeito à vida privada de cada um!
Nem todos os homossexuais querem casar ou adoptar e nem todos os homossexuais têm a mesmíssima educação, valores ou condutas.
Ou seja, a cada pessoa reconheço a liberdade de viver a sua vida como bem entende (contando que não prejudica ninguém) e sem ter de assumir publicamente seja o que for!
Esta liberdade, sem distinção é a mesma que defendo para quem escolhe assumir-se.
Nota 1: as médias que enuncio são baseadas na pesquisa pessoal, sobre os números oficiais da Adopção em Portugal desde 2010.
Nota 2: este texto NÃO está escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
BEM VINDO SEJA QUEM VIER POR BEM
Europa? E agora?
Agora, “mija na mão e deita fora” como diziam os putos da minha infância!
O que hoje aconteceu em Paris está carregadinho de ironia! E dor e medo e perigo…e desafios!
Tudo indica que os “executantes” eram franceses! Ooops, “la vache”…
E lembrei-me de Bin Laden há quase 10 anos atrás, sossegando os seus seguidores extremistas “Não se preocupem com a Europa! Essa já está conquistada”!
Pois é… Porque a Europa da tolerância e do multi-culturalismo e da liberdade abriu os braços a tudo e a todos, virando costas à integração e fechando os olhos à realidade e às suas expressões!
Em Maio do ano passado os resultados políticos da extrema direita deviam ter sido um alarme! E foram! Um alarme sonoro nas bocas de quem preferiu reduzir esta expressão apenas a maus fígados e más intenções antiquadas de fascismo e nazismo.
Preferiram calar estes resultados porque é feio. Porque “parece mal” discutir afinal a expressão de gente que é “só” má e racista e intolerante.
E manteve-se a mesma postura, que chamamos de solidariedade e respeito, porque “parece mal” agir de outra forma e por isso nem pensar em discutir o que se passa…
E o que se passa há muito tempo é isto! Uma realidade opressora e intolerante na Europa, pelas mãos daqueles que dizem representar o profeta daqueles a quem construímos mesquitas e permitimos o uso da hijab... mas que a nós não nos permitem uma piada que seja!
Soa mal tudo o que escrevo? Soa! Tem soado!
Porque de cada vez que alguém aponta o dedo, há logo outro que se levanta para intervir sob a égide da tolerância e do respeito, abafando e denegrindo as intenções de quem afinal só quer lembrar que a forma como temos (Europa) agido com os imigrantes e as comunidades tem permitido, também, a expressão deste extremismo!
É esta a Europa que se diz livre, mas vive desorientada e assustada, refém dos valores da “Liberté, Égalité, Fraternité” a reboque da opinião publicada que parece que só acorda e se arrisca a escrever um “se calhar, vai na volta, algo se passa por aqui…” quando se matam à queima roupa uns quantos jornalistas, seus colegas!
É por isso que hoje sou obrigada a lembrar-me do velhinho azulejo da hospitalidade “Bem vindo seja quem vier por bem”, porque sinceramente quem vier por mal, por mim pode ir andando para os confins do raio que o parta, porque entre a morte e a ofensa há que ferir susceptibilidades, convenhamos…
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