segunda-feira, 26 de maio de 2014

EUROPEIAS 2014


Párem de olhar para o umbigo!
Párem de cantar vitórias! Ou de apregoar derrotas estrondosas!

As eleições de hoje chamavam-se Europeias! Soa-vos alguma campainha, oh cambada?
Saiam do Rato! Saiam da Lapa! Saiam do Caldas! Saiam do Altis e das salas que vocês alugam para olhar para iPads e iPhones e plasmas à espera do tacho que o vosso feudo vos cozinha!

É sobre a Europa! Esse projecto que edificou e garantiu um longo período de paz, de crescimento económico e de sonho de inclusão e justiça social ao longo das últimas décadas!
Saberão vocês ao que se propõem? Estudaram a matéria? Tiraram as palas?
Não me parece…Olhem à volta! A extrema direita conquistou assentos! A extrema esquerda ganhou expressão! A abstenção galgou nas percentagens e virou-vos as costas!

A Democracia continua a dar-vos a chance de prestar contas aos erros e vocês viram as costas aos resultados, mantendo os mesmos discursos vaidosos? Tirando as mesmas conclusões bacôcas? Continuando a desrespeitar quem vos elege ou vos exige uma mudança, recusando inclusive um voto de confiança?

Por menos ignorância não seria eu admitida para porra de projecto nenhum!

Como é que é possível que a feira de vaidades deste país, recém eleitos como eurodeputados extrapole os resultados miseráveis duma eleição, para a governação deste rectângulo?
66% de abstenção! 7% de nulos e brancos! E 17% dos 27% que restam votaram no ping pong!
Vitória? Derrota? De quem?! De quê?
Os efeitos da ruína do projecto europeu vão perseguir-nos como réplicas e as beatas dos partidos deste país continuam a insistir na responsabilidade dos eleitores, reféns duma partidocracia!
Está visto que isto dos resultados eleitorais é como a Biblia. Há interpretações para todos os gostos!
Pois bem, hoje na Europa venceu o protesto! Mesmo nos seus resultados mais absurdos! Pois é exactamente aí que o desagrado e a vontade e a necessidade de mudança se manifesta; nos extremos! Foi sempre assim! E o terreno na Europa está fértil mais uma vez! Fértil de vazio e de espaço para essas parvoíces!

Tudo por causa das vossas palas! Da vossa ambição pelo imediato e pelo “poucochinho, desde que me venha parar ao bolso”! Tudo porque os partidos e as suas beatas mataram as ideias, as ideologias, as visões e os projectos! Abrindo alas às ideologias extremistas, muito simples que atraem moscas como melaço!

Abram os olhos e deixem-se de manifestações ridículas de vitória!
Se a Democracia está nos cuidados paliativos a culpa é vossa! Da classe politica que classe, não tem nenhuma!

domingo, 25 de maio de 2014

VOTAR OU NÃO VOTAR EIS A QUESTÃO...





Em 21 anos de "vida eleitoral" nunca me abstive duma urna! Nem nas presidenciais, sendo eu monárquica.

Em mais de 21 anos fui filiada num partido, fiz campanhas, organizei congressos e comícios, fui eleita presidente de mesa da assembleia duma junta de freguesia, candidatei-me novamente mais tarde, como independente, nas listas para a Freguesia de Alvalade e fui delegada de CNE para contagem de votos.
Em 21 anos nunca me abstive e para além de eleitora participei nesta democracia de várias formas e bastante envolvida.

Em 21 anos defendi o voto e discuti com várias pessoas, incluindo familia, que sucessivamente se abstiveram. Curiosamente algumas dessas pessoas são as que este ano apelam ao voto e criticam quem não vai votar!

Por isso, como democrata que sou prescindir do meu voto, custa-me, mas cheguei a um ponto em que acredito que não votar é a minha única forma de protesto. O único protesto que me resta face à partidocracia vergonhosa da qual estamos reféns.
A abstenção é também a minha única "arma" contra a classe politica que nos tem constantemente enganado e expoliado e não tem cumprido nenhuma promessa de defesa e muito menos nenhum dos deveres a que se propõem como politicos!

Então porque carga de água tenho eu de "cumprir um dever" que me tem valido de nada e que como direito me permite escolher, há tempo demais, "do mal o menos"?
Porque carga de água tenho eu de depositar um voto numa proposta com a qual não me identifico?
Porque carga de água tenho eu de ser criticada por não me rever em nenhuma das propostas e posições actuais? E em concreto nestas Europeias pergunto onde estão as ideias e as propostas? Quem é que as discutiu?

O país e os cidadãos estão reféns de partidos, compadrios e corrupções e é contra isso que a minha abstenção (pela primeira vez!) pretende protestar...

Não voto e quero que saibam, porque só assim assumindo e afirmando é que o meu "não voto" ganha a expressão de protesto!