segunda-feira, 2 de novembro de 2015

NÃO SOMOS TAGARELAS

(foto: Maria Pena Monteiro)

Eu explico-vos, então.

Uma mulher de poucas palavras é coisa que talvez exista, sim, mas não constantemente! Não proliferam! Não é habitual. Não por feitio! E assim chegamos ao ponto do “i”. Não se iludam! Uma mulher de poucas palavras, geralmente não é feitio, é sintoma!

Os monossílabos só fazem parte do nosso vocabulário se estivermos cansadas ou zangadas. Posso, no entanto, dar-vos umas dicas.

Um monossílabo arrastado indica cansaço extremo e no limite. Perante isto calem-se! Desapareçam! Voltem mais tarde! E se possível levem as crianças!

Um monossílabo suspirado também indica cansaço, mas pede mimo! Pede atenção! Pede que tomem as rédeas do dia!
(Atenção! É mimo! Não é sexo! Ok pode ser sexo, mas só depois de 5 ou 6 sorrisos de satisfação! Se calhar é melhor esperarem por uma gargalhada, ok?)

Um monossílabo curtíssimo, rápido, quase inaudível, é o chamado “monossílabo Etna” (só porque o vulcão Eyjafjallajökull é impossível de se pronunciar e eu estou aqui para vos facilitar a vida).
Perante este, prestes a explodir, cuidado! Muito cuidado!
Lembro-vos que, na dúvida, o silêncio com olhinhos de “hush puppie” é sempre preferível à pergunta “o que é que foi?”. Isso nunca! Lembrem-se que estes monossílabos acontecem porque vocês fizeram asneira! Perguntar o que foi é exporem-se a fuzilamento!
Sugiro que se afastem! Mas desta vez devagar, com passos pesados, cabeça baixa de culpa e o tempo suficiente para vasculharem mentalmente os últimos dias, ou meses, ou anos, à procura das asneiras em que incorreram. Sim, porque um “monossílabo Etna” só existe no cume de erros sucessivos. No limite da paciência duma mulher! Lembrem-se disto! Tentem resgatar nos vossos ficheiros de memória, aquelas 325 mil conversas infindáveis que ela tentou ter convosco sobre qualquer assunto da vossa relação!
Colem as peças que vos sobram. Aquelas que conseguiram registar no meio do tédio que fingiu ouvi-la!
Se chegarem a alguma conclusão firme, tentem resolver a situação, reverter o padrão, assim que surja a primeira oportunidade! Se não chegarem a nenhuma conclusão, se não aguentam mais a pressão do silêncio dela, sugiro que procurem saber o que se passa, mas nunca perguntando! Afirmem! Digam-lhe que já perceberam que ela não está bem! Que não gostam nada de a ver assim, triste! Façam das tripas coração e digam-lhe que precisam de conversar… e preparem-se para uma chazada em jeito de DR (discutir a relação) com algumas acusações, há largos anos atravessadas!

Mas no final, em silêncio, agradeçam! Porque uma mulher que não perde tempo para conversar convosco, já desistiu. Já a perderam!

(texto publicado na plataforma MARIA CAPAZ 16/05/2015)
http://mariacapaz.pt/cronicas/nao-somos-tagarelas-por-susana-beirao/

ESTÓRIAS DE TÃO LONGE TÃO PERTO – 3 GESTOS


Roubei descaradamente parte do título a Wim Wenders, para vos contar pequenas estórias de quem vem de longe e nos aproxima das suas vidas, por algumas horas, aqui no aeroporto, por onde passam, pontualmente ou por rotina.

Entrou no Lounge com pressa, já ao final do dia.
Mesmo assim vinha meticulosamente arranjada, como se tivesse acabado de sair da frente do espelho! O cabelo liso e solto, as unhas perfeitas, as calças pretas da melhor fazenda e corte, a blusa de seda cor-de-rosa, suave, elegante, fluida.

Vinha, com urgência, imprimir o talão de embarque.
Vinha com urgência, sim. Desde o primeiro segundo que notei que vinha com urgência. Uma urgência estranha, que não era só pressa.
Tinha um sotaque vincado do Porto. Era para lá que voltava.
Estava ali parada à minha frente de óculos escuros. Parada, mas irrequieta.
A cabeça sempre baixa e o olhar sempre de soslaio, por de trás dos óculos.
Parecia vergonha. Mas ela não me parecia tímida!
Parecia medo. Mas ela parecia-me tão destemida, quando entrou!

Enquanto esperava, suspirava.
Senti os olhos dela cravados nos meus ombros.
Senti os olhos dela à boleia dos meu movimentos.
Mas de cada vez que olhei para trás, ela tinha a cabeça enterrada nas mãos e os dedos, como pentes, presos entre os cabelos.

Perguntou-me se podia ir à casa de banho. Indiquei-lhe onde era.
Demorou-se, ao ponto de eu me preocupar.
Reparei na sua mala. Ia cheia. Cheia demais.
O fecho denunciava algum esforço; um fecho éclair em tensão.
Será que rebentava antes de chegar ao Porto?
Ela voltou. Guardou uma bolsa na carteira e veio ter comigo novamente.
Pegou no talão de embarque e antes de me agradecer tirou os óculos escuros e arregaçou as mangas.
As suas mãos, hidratadas, de unhas cor de vinho, sem cutículas, afagaram veementemente o próprio rosto, exageradamente maquilhado. Como quem tira uma máscara.

Nestes 3 gestos tudo se transformou!
As mangas caídas até ao cotovelo despiram vários arranhões!
A base e o corrector que a palma da mão limpou cobriam 2 hematomas num olho e na maçã do rosto.

Com estes 3 gestos, à minha frente entendi a urgência que ela trazia.
Antes de me virar as costas ainda consegui balbuciar “está tudo bem?”
Fitou-me e respondeu: “vai ficar.”

(texto publicado na plataforma MARIA CAPAZ 18/04/2015)
http://mariacapaz.pt/cronicas/estorias-de-tao-longe-tao-perto-3-gestos-por-susana-beirao/

HILLARY CLINTON


Hillary Clinton assume-se como candidata a Presidente dos Estados Unidos da América.
Fico entusiasmada com esta notícia! Porque é uma mulher? Sim!

Sempre assumi a minha posição em relação ao Feminismo; nos dias de hoje tem de vincar a igualdade de oportunidades entre géneros e afirmar a diferença nas acções!
Para mim faz tanto sentido que assim seja, bastando-me a confirmação da estratégia da própria mulher em causa, Hillary.
Anteriormente assentou toda a sua candidatura num discurso de total igualdade, evitando assumidamente o factor género.
Desta vez, e provavelmente tirando as devidas ilações, Hillary ilustra já na sua primeira abordagem, a importância do género, na sua candidatura.
Não há volta a dar! Não há outra forma de se candidatar e de se propor a uma abordagem feminina, em termos políticos.

Primeiro porque poderá suceder a um democrata. E ela também o é. Por aí, não representaria a diferença.

Segundo, e principalmente, porque a realidade dos últimos tempos tem vindo a agitar as mentalidades e a atenção para o papel da mulher na sociedade.
Feminismo é o discurso vigente! E é um discurso que existe necessariamente para lá da expressão “está na moda”.
A (re)emergência do Feminismo é, estou em crer, uma necessidade global, que não serve, ao contrário do que muitos pensam, apenas os interesses da Mulher, mas acima de tudo os interesses dum mundo equilibrado justo e igualitário.

Terceiro, porque no âmbito internacional a eleição de uma mulher para os comandos duma das maiores potências do mundo é, a meu ver e face ao contexto político global, uma eleição quase providencial!
Para o bem e para o mal, os EUA são o bicho papão de muitos e o “D. Sebastião” mundial para muitos.
Perante a instabilidade que emerge desde o início deste século, na onda de ideologias religiosas extremistas, que ameaçam, agridem e atacam todas as diferenças e oprimem toda a igualdade e o equilíbrio, uma mulher no pleno poder da mediação é essencial.
É, por isso e repito, providencial!

Estou feliz! E cheia de expectativas e esperança!

(texto publicado na plataforma MARIA CAPAZ 13/04/2015)
http://mariacapaz.pt/cronicas/hillary-clinton-por-susana-beirao/

ELA. SÓ ELA.


Há uns tempos, em conversa com um amigo falávamos duma amiga comum, de infância e juventude.

Uma amiga que noutros tempos era uma criança apagada e tímida. Que noutros verões era uma adolescente insegura, gordinha e complexada. Uma amiga com quem crescemos e que já desde esses tempos eu lhe reconhecia muito mais do que aquilo que lhe perguntavam. Mais do que aquilo que dela esperavam.

Falávamos sobre a mulher em que se tornou!
Eu falava. Ele acenava entre um sim e um “hum hum”. Eu exultava-a. Ele lembrava-se.

“Estive com ela a semana passada num jantar. Que gira que ela está! Tem uma pinta desgraçada”
“Sim…”
“Estivemos horas à conversa! Acho que já não a via há uns bons 10 anos! Tinha vindo do Porto. Foi ver uma exposição no edifício AXA. Adorou! Também já estive nesse espaço e adorei o projecto! Ela vai escrever sobre isso. Eu adoro lê-la! Sempre escreveu tão bem!”
“Sei…”
“Tenho seguido o blogue dela! É incrível o trabalho dela, não é?”
“´Hum, hum…”
“E as fotos! Brutais! Já fui a duas exposições dela! Muito boas! Ela aliás tem uma visão muito interessante sobre o que a rodeia! Sempre teve! É fantástico o trabalho dela!
“Sim…”
“Contou-me que está a escrever um livro! Não me adiantou pormenores, mas estou curiosa! Faz todo o sentido, com tudo o que já tem escrito!”
“Ela já foi casada, não foi?”
Pausa…
“Já…” respondi eu entre dentes.
“Não teve filhos, pois não?”
Pausa… Tentei ignorar. Continuei.
“Fiquei muito contente por lhe poder dizer o quanto a admiro e o que ela tem feito e conquistado! Gosto muito dela! De gente assim tão capaz de se reinventar! Gente que dá cartas e que tem esta capacidade imensa de criar! Achei-a muito feliz! Muito realizada! Que pinta!”
“Sim. E afinal continua sozinha. Parece que ninguém lhe pega. Porque será?”

Pausa… E mais pausa longa. Silêncio. Espanto!

Levantei-me. Incrédula pelo que tinha ouvido! Virei-lhe costas! Sem resposta para aquela pergunta absurda!
Fui lá fora fumar um cigarro. A remoer no que tinha ouvido.
Como é possível? Uma mulher de sucesso! De referência na cultura! Que cresceu verdadeiramente! Com tanto mundo! Tão plena!
Ali em poucas palavras, reduzida a uma insinuação daquelas. Como se lhe faltasse legitimidade. Por não fazer parte de um par. Por ser só uma. Só ela!

(texto publicado na plataforma MARIA CAPAZ 17/03/2015)
http://mariacapaz.pt/cronicas/ela-so-ela-por-susana-beirao/

HOMENS DE SALTOS ALTOS




Domingo, dia 8 de Março, “100 homens sem preconceitos”, escrevi eu na agenda, em vez de Dia da Mulher. E lá fui eu, de botas rasas e passos largos até à sala onde toda a gente aguardava, com uma expectativa que se sentia!

Lá estavam os stilettos, os brogues, os pumps, as sabrinas, os ténis e os mocassins!
Os sapatos que lá estavam fizeram sem dúvida questão de marcar presença, principalmente nos pés das mulheres, que os exibiam em tom de afirmação! Fosse pelo desafio de 12 cm de salto ou pela elegância de uns mocassinspretos!

À entrada da exposição estavam quatro rapazes, empoleirados em cima dos stilettos do Luís Onofre. Os tais da exposição.
Na cara de todos descobria-se o esforço e as mulheres, à medida que entravam, olhavam para eles com um sorriso que cantava Depeche Mode (“Try walking in my shoes…”)!

O desfile das fotos que a revista Máxima conseguiu reunir ao longo de um ano de iniciativa simbólica assalta-nos realmente muito mais do que uma expressão agradável, jocosa ou meramente estética!

Esperava fragilidade e poses atrapalhadas, confesso.
No entanto desde o meu primeiro passo naquele corredor até ao final, todos aqueles homens despiram a condescendência que eu trazia vestida.

Aquelas fotos registam atitude e remetem para segundo plano, os sapatos!
Porque cada homem que ali está teve de contornar a dificuldade de se equilibrar. Cada um à sua maneira! À semelhança de tantas mulheres, no seu dia-a-dia, tentando o equilíbrio em todos os seus papéis.
Tal e qual como me confessou o bailarino Benvindo Fonseca, que pela sua formação achava que ia ser fácil calçar aqueles sapatos:
“Foi tão difícil equilibrar-me entre um pé e o outro que depressa entendi como me deveria deixar fotografar! De repente por tão pouco voltei a lembrar-me que estava a representar o desequilíbrio entre os géneros!”.
Cada homem que ali está teve de lutar pela melhor posição em cima daqueles saltos.

Como o Nicolau Breyner sentado num banco de jardim, com uma expressão sofrida e resignada, talvez por não conseguir manter-se de pé naqueles sapatos.
Ou o próprio Luis Onofre, que só fazendo o pino, achou comportável calçar-se assim!
Ou o Rui Pregal da Cunha, firme nos gestos, com uns ténis na mão; ou serão estes a liberdade das mulheres na escolha?
Ou mesmo o realizador Ruben Alves desafiando tudo e todos equilibrado num só pé, apagando um cigarro na sola do outro!
Ou o António Zambujo sereno e livre, equilibrado na calçada.
Ou os quatro Neurocientistas que, cheios de graça e descontração, ali estão ao sol talvez lembrando-nos com ironia que as mulheres também têm um cérebro…

É extraordinário como 10 cm de salto entregam a um homem o mesmo poder, a mesma expressão e a mesma elegância!
É extraordinário como 10 cm de salto podem ser mil vezes mais altos em tanto que representam!

Pode o conceito ser simbólico, mas ali está estampada a certeza que trouxe.
Cada um daqueles homens calçou os nossos sapatos, porque nos ama, nos admira e nos respeita!
E é verdade…não há nada mais sexy do que um homem feminista!

(texto publicado na plataforma MARIA CAPAZ 11/03/2015)
http://mariacapaz.pt/cronicas/homens-de-saltos-altos-por-susana-beirao/

ESTÓRIAS DE TÃO LONGE TÃO PERTO – EMMA



Roubei descaradamente parte do título a Wim Wenders, para vos contar pequenas estórias de quem vem de longe e nos aproxima das suas vidas, por algumas horas, aqui no aeroporto, por onde passam, pontualmente ou por rotina.

Não era a primeira vez que Emma vinha ter comigo aqui ao Lounge.
Acho que vem a Lisboa pelo menos uma vez por mês e regressa a Oslo sempre ao final do dia, às 5ª feiras.

A figura é sempre a mesma. A mala de rodinhas, o blazer azul-escuro, o sorriso cansado, a passada apressada, osmartphone entalado entre a orelha e o ombro, a madeixa ruiva sobre a testa, arranhando-lhe as pestanas.

E a conversa entre nós duas só com o olhar, dizendo “olá” e um “espera só um bocadinho, que tenho de despachar este chato aqui ao telefone”.
Tudo isto sabe Deus em que língua, mentalmente, porque nem eu sei falar norueguês, nem ela sabe falar português!
Mas entendemo-nos naqueles 2 ou 3 minutos da sua chegada.

Pouco mais conversamos. Até porque ela só quer descansar! Apagar mais uma semana de trabalho.
Passa pelas brasas até às 18.30. Só tem voo por volta das 20.00.
Quando desperta procura as horas em todos os relógios que tem à volta.
No telemóvel, no computador, no painel de informações de voo e na minha resposta.
“Susana is it almost 19.00?”. “Yes, it is” confirmo-lhe.

Volta ao ecrã do seu tablet. Em Oslo são quase 20.00.
Oiço o sinal de chamada de Skype e um sonoro “hallo babyen”!
A partir daqui se norueguês é para mim chinês, em “bébélês” ainda menos se entende!
Mas sei que o Soren tem quase 6 anos e que adora ginger cookies e as pequenas cavacas que a mãe lhe leva de Lisboa, compradas aqui no aeroporto!

A alegria da conversa entre mãe e filho era contagiante!
Isso não precisava de tradução. Entendia-se nas exclamações, nas gargalhadas de Soren e nos sorrisos embevecidos de Emma.

A chamada durou uns 15 minutos. Quando desligou começou a arrumar tudo para se dirigir ao embarque, que já piscava no painel.
Emma despediu-se de mim com um “see you in November Susana”.
Despedi-me dela, mas reparei nas lágrimas que espreitavam nos seus olhos amêndoa.
Perguntei-lhe o que se passava. Não queria que saísse dali assim…

O Soren estava desdentado! Caiu-lhe o primeiro dente e esteve a contar à mãe que guardou o dente debaixo da almofada, embrulhado num lenço, porque a Fada dos Dentes ia deixar-lhe uma moeda em troca, amanhã de manhã.

Emma estava emocionada! Ansiosa! Entusiasmada!
Será que chegaria a tempo de ser a Fada dos Dentes do seu filho…

(texto publicado na plataforma MARIA CAPAZ 26/02/2015)
http://mariacapaz.pt/cronicas/estorias-de-tao-longe-tao-perto-1-emma-por-susana-beirao/

UM MUNDO À PARTE DO MEU


Há histórias que nos perseguem. Episódios que para além do terramoto inicial, abalando algum equilíbrio, se revelam afinal, ao longo das nossas vidas, uma escala de Richter sem grau máximo e com réplicas intermináveis.

Tudo porque de meninas vamos para moças (um termo em desuso, mas que se refere a uma idade bem concreta) e de moças nos tornamos mulheres. E o que os ouvidos de menina ouvem, só a moça consegue entender e só a mulher consegue reflectir.

No final da década de 80, andava eu no Colégio do Sagrado Coração de Maria, com 13 anos, fomos por altura da Páscoa visitar um centro de acolhimento de raparigas adolescentes em risco. “Calhou-me” uma Raquel. Tinha 14 anos, mas parecia ter mais 10 anos que eu!
Era magra, macilenta. Tinha 14 anos e estava grávida!

Eu tentei. Eu tentei conversar com ela.
Aliás, eu acho que só pude ouvi-la. Não podia dizer-lhe fosse o que fosse, pois a cada palavra dela, eu ia percebendo que nada, do alto dos meus 13 anos privilegiados, lhe iria acrescentar algum conforto ou alguma epifania. Ela conhecia um mundo completamente à parte do meu. E eu ouvia-a. Atentamente, mas tão desorientada.

A medo e bêbeda de inocência perguntei-lhe se o pai da criança a acompanhava e se já a tinha visitado ali no Centro. A resposta dela tirou-me o pio, o fôlego e os meus alicerces:
” O pai?! Eu sei lá se estou grávida do meu pai ou do meu irmão…”

(texto publicado na plataforma MARIA CAPAZ 14/02/2015)
http://mariacapaz.pt/cronicas/um-mundo-parte-meu-por-susana-beirao/