(foto: Maria Pena Monteiro)
Eu explico-vos, então.
Uma mulher de poucas palavras é coisa que talvez exista, sim, mas não constantemente! Não proliferam! Não é habitual. Não por feitio! E assim chegamos ao ponto do “i”. Não se iludam! Uma mulher de poucas palavras, geralmente não é feitio, é sintoma!
Os monossílabos só fazem parte do nosso vocabulário se estivermos cansadas ou zangadas. Posso, no entanto, dar-vos umas dicas.
Um monossílabo arrastado indica cansaço extremo e no limite. Perante isto calem-se! Desapareçam! Voltem mais tarde! E se possível levem as crianças!
Um monossílabo suspirado também indica cansaço, mas pede mimo! Pede atenção! Pede que tomem as rédeas do dia!
(Atenção! É mimo! Não é sexo! Ok pode ser sexo, mas só depois de 5 ou 6 sorrisos de satisfação! Se calhar é melhor esperarem por uma gargalhada, ok?)
Um monossílabo curtíssimo, rápido, quase inaudível, é o chamado “monossílabo Etna” (só porque o vulcão Eyjafjallajökull é impossível de se pronunciar e eu estou aqui para vos facilitar a vida).
Perante este, prestes a explodir, cuidado! Muito cuidado!
Lembro-vos que, na dúvida, o silêncio com olhinhos de “hush puppie” é sempre preferível à pergunta “o que é que foi?”. Isso nunca! Lembrem-se que estes monossílabos acontecem porque vocês fizeram asneira! Perguntar o que foi é exporem-se a fuzilamento!
Sugiro que se afastem! Mas desta vez devagar, com passos pesados, cabeça baixa de culpa e o tempo suficiente para vasculharem mentalmente os últimos dias, ou meses, ou anos, à procura das asneiras em que incorreram. Sim, porque um “monossílabo Etna” só existe no cume de erros sucessivos. No limite da paciência duma mulher! Lembrem-se disto! Tentem resgatar nos vossos ficheiros de memória, aquelas 325 mil conversas infindáveis que ela tentou ter convosco sobre qualquer assunto da vossa relação!
Colem as peças que vos sobram. Aquelas que conseguiram registar no meio do tédio que fingiu ouvi-la!
Se chegarem a alguma conclusão firme, tentem resolver a situação, reverter o padrão, assim que surja a primeira oportunidade! Se não chegarem a nenhuma conclusão, se não aguentam mais a pressão do silêncio dela, sugiro que procurem saber o que se passa, mas nunca perguntando! Afirmem! Digam-lhe que já perceberam que ela não está bem! Que não gostam nada de a ver assim, triste! Façam das tripas coração e digam-lhe que precisam de conversar… e preparem-se para uma chazada em jeito de DR (discutir a relação) com algumas acusações, há largos anos atravessadas!
Mas no final, em silêncio, agradeçam! Porque uma mulher que não perde tempo para conversar convosco, já desistiu. Já a perderam!
(texto publicado na plataforma MARIA CAPAZ 16/05/2015)
http://mariacapaz.pt/cronicas/nao-somos-tagarelas-por-susana-beirao/






