quinta-feira, 1 de outubro de 2015

E DE REPENTE LEMBRAM-SE DA ABSTENÇÃO...


E de repente lembram-se da abstenção!
Apelam ao voto e até há quem se atreva a arriscar apelar ao voto útil! Como se houvesse inutilidade na escolha consciente de cada um de nós, eleitores!

E de repente lembram-se da abstenção! Que gradualmente e em 40 anos de “democracia” tem aumentado e tem sido sujeita a algumas leituras, por parte de, pelo menos, quem olha para a abstenção, sem facciosismos de resultados.

E de repente insurgem-se contra a abstenção, que em 2011 elegeu este governo, com 41,1% dos eleitores a demitirem-se de escolher.
Quatro anos depois insurgem-se e partilham “memes” que desvalorizam a vitória de quem nos (tentou) governar e gráficos que nos contam essa história de como Passos Coelho chegou a PM.

Quatro anos depois lembram-se dos 41,1% de abstencionistas, mas no entretanto ninguém se lembrou de fazer algumas perguntas sobre esse tema! Ninguém se lembrou de perguntar porque razão tanta gente se desinteressou e escolheu, não escolher!
E quatro anos depois continuam sem tentar perceber!Quatro anos depois, o que fazem é intimidar com hashtags de voto útil e culpar quem continua sem se rever nas propostas que vão a votos!
Tudo porque quatro anos depois, os 41,1% de eleitores que há quatro anos, não votaram, lhes dariam tanto jeitinho! Tivessem-se esforçado para os convencer!

Quatro anos depois preocupam-se com a abstenção, esquecendo-se que em 2013 nunca tanta gente tinha ficado em casa, em eleições autárquicas! Esquecem-se que quase metade dos eleitores - 47,4% - não se preocupou em eleger os seus autarcas!
Quatro anos depois esquecem-se que, em Lisboa, António Costa ganhou, com a ausência de 55,49% dos eleitores, nas mesas de voto!
Menos de metade dos munícipes inscritos elegeram o seu Presidente de Câmara.
Provavelmente por saberem que quem se candidatava, não iria lá ficar, nem sequer honrar esse compromisso eleitoral…

Quatro anos depois lembram-se da abstenção, chutando para canto a preocupação dos valores de abstenção nas Europeias de 2014 – 66,2% - a maior taxa de abstenção de sempre!
Quatro anos depois lembram-se da abstenção, sem nunca antes se terem interrogado, seriamente, conscientemente, tirando consequências e ilações, sobre as razões pelas quais isto acontece, nunca decrescendo, de há 40 anos para cá.
(tal como já escrevi neste blog aqui e aqui)

E apesar de eu acreditar que este ano a taxa de abstenção irá diminuir, pelo menos em relação às anteriores legislativas acredito também que é esta hipocrisia que irá continuar a afastar os eleitores das urnas!
Quatro anos depois preocupam-se com a abstenção… porque os abstencionistas lhes fazem falta!