sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

A FOLHA BRANCA


Uma folha em branco também conta uma história. A história de alguém cheio de emoções a gritar na cabeça, contando que a mão a oiça e dê ordens à caneta! Às teclas, que caneta era dantes...
Uma folha branca é bem capaz de contar uma discussão. A discussão entre a razão e o coração, que insiste em calá-la! E os suspiros que lhe tiram o pio! E o sorriso que se estampou no rosto e nos desvia a atenção e nos tolda os alertas! E abre a porta ao corpo que nos segreda e nos traduz tudo o que somos nesse momento: desejo! (Que presunção! Como se esta dormência nos tranquilizasse...)
Eu sei do que quero falar! Mas perco-me! E não é de hoje...
É desde quando te vi pela primeira vez, achando que nem reparaste! Achando que não tinhas percebido que disfarcei.
É desde quando percebi que os meus olhos já fugiam descaradamente da tua expectativa!
Sinto, desde do momento em que me arrancaste um "olá" tremido (tímida, eu?!?)
Sinto tudo, desde esse "Porquê"!
E mais uma vez hesito... Já te disse, perco-me!

QUE NÃO NOS ACORDEM...




Todas as semanas há que estraçalhar alguém ou alguma coisa nos meandros das redes sociais!
No início desta semana foi um tal de Nuno Ferreira, que nasceu no segundo mês dos anos 80 e gosta de gelatina de morango…
Antes demais permitam-me sublinhar que nasci no primeiro mês dos anos 70 (embrulha Ferreira!) e adoro arroz doce!
Prosseguindo! No meio de alguns disparates, que começaram aqui na gelatina de morango e terminaram sabe Deus onde, porque ele próprio se perdeu atabalhoado no seu raciocínio, eu fui lendo, encolhendo-me entre “ais” e “uis” na antecipação das acusações habituais (fascista ganha aos pontos!) esforçando-me a retirar alguma conclusão, mas não tive outro remédio senão voltar ao título “O sonho não comanda coisíssima nenhuma” e cingir-me à ideia subjacente de tudo isto, que não refuto, de todo! (quer dizer… eu quero acreditar que a intenção era esta!)

“O português quando nasce, nasce sempre para ser grande. Mas por qualquer razão nunca passa de mais um pequenino. E a culpa nunca é dele. É da crise, dos mercados, da Europa, do azar ou do Topo Gigio.” (esta referência ao Topo Gigio safou-te, Nuno Ferreira!)
Isto, quer se queira, quer não, é verdade! Basicamente o que o Nuno nos tentou dizer foi: deixem-se de tretas!

Eu não menosprezo o sonho, mas digo que ele por si só, não chega! E muito menos nos dá o direito de reclamar ou lamentarmo-nos se acordarmos afinal para um “não, não aconteceu” ou um “não, não vai dar”!
O sonho só comanda a vida no sentido em que nos aponta os próprios sonhos na juventude, os objectivos na idade adulta e as metas na velhice.
Não, não é pouco este domínio, mas sonhar, querer ou desejar, isso todos nós sabemos fazer!
É ou não verdade, que há muita gente (nova principalmente) que chora muito e se sente injustiçada porque o júri dos “Idolos” lhes disse que eles não sabiam cantar e afinal a mãe fê-los crescer até ali, dizendo-lhes que são lindos, perfeitos, cantam maravilhosamente bem e são capazes de tudo?
Pois… sim, filho nosso é sempre lindo, mas amor de mãe é surdo! E eles nem sempre cantam lindamente e não são os “máiores” em tudo! E é bom que eles saibam, cedo, se faz favor!

Porque é preciso ter coragem para saber desistir! E é preciso ser enorme para se saber  reinventar!
E é preciso saber ser feliz, para saber dar valor ao que se tem e ao que se deseja, sem viver na angústia do que se quer, não tendo!
Não, não é o sonho que comanda a vida! É a perseverança e a lucidez, talvez...
Não, não basta querer! Isso é só meio caminho andado!
Não, não é a sorte que faz as coisas acontecerem! Porque sorte é quando a vontade encontra a oportunidade!
A culpa? A culpa é da tradição que nos educa para sermos felizes, com todo o direito e obrigatoriedade! Sem nos avisar que é bem provável encontrarmos 325 mil frustrações, decepções, desgostos e derrotas!
Que o mundo se eduque, para lidar com a realidade! Porque sonhar e querer, todos somos capazes e faremos! Mas nem todos, nem todos conseguirão...e só alguns, só alguns se perderão!

O copo meio cheio? O copo meio vazio? Ou só a realidade, nua e crua?

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

SAÍ DO ARMÁRIO!




A propósito de Ellen Page (na publicação anterior)… decidi também sair do armário: sou heterossexual! Não, não sou lésbica! (ooohhhh ouve-se um masculino uníssono…)

Perante o entusiasmo que gerou a assunção de Ellen Page deduzo que a orientação sexual de cada um seja um requisito público.
É que perante os aplausos pergunto: é alguma habilidade? Tipo acrobacia de circo, “allezhops…tcharan”?
Sem deixar de reconhecer que o discurso desta actriz fez todo o sentido, dado o contexto, esta necessidade de afirmação constante de algumas personalidades, do nada, só porque sim, cada vez me soam mais a manobra comercial, tipo vídeo pornográfico da Paris Hilton.
Enquanto uns gostariam de assistir a mais manifestações destas eu sinceramente preferia que isso não fosse necessário! A que propósito é que a vida privada de alguém deve ser exposta desta forma?
Durante anos lutou-se pela diferença, pretendendo-se a igualdade! Durante anos lutou-se contra o preconceito, pondo em causa as pessoas que alteravam os seus comportamentos e as suas condutas para com alguém, apenas por causa da orientação sexual. E concordo, a minha intimidade não vem ao caso na altura duma promoção profissional, ou num atendimento na loja, ou na marcação duma viagem, ou noutro contexto qualquer…
O que é que eu quero dizer com isto? Que igualmente, para mim, também não faz sentido nenhum, que a orientação sexual seja um factor a ter em conta numa entrevista de trabalho, para uma função que dá, verbalmente assumida, preferência a homossexuais (e não, não estamos a falar de go-go dancers. Era uma vaga para vendedor numa loja de roupa). Para mim não faz sentido nenhum a existência de hotéis, praias ou clubes Gay (sítios geralmente fantásticos, porque todos sabemos que um gay tem jeito para estas coisas). A mim sinceramente soam-me a guetos. Se existissem hotéis, praias ou clubes manifestamente hetero, não seria discriminação? Incoerente, no mínimo, não?
Acho que tudo o que é demais enjoa e nos dias que correm em que as discussões sobre esta temática já passaram para outros patamares e finalmente é a igualdade que se discute, estas manifestações arriscam-se a ridicularizar o assunto.
De cada vez que alguém se “assume” lembro-me da Jodie Foster no seu discurso nos Globos de Ouro em 2013, quando se assumiu indubitavelmente…solteira!
De cada vez que alguém se assume penso na Ellen DeGeneres que curiosamente conseguiu um bem sucedido talk show e uma grande reviravolta na sua comatosa carreira à conta da capa “Yep I’m Gay”.

Em suma, já tinha pensado em assumir-me antes! Até porque gostava de participar numa “Orgulho Hetero Parade”… Mas no segundo a seguir antecipei a quantidade de comentários sarcásticos e azedos, apontando-me o dedo e acusando-me de homofóbica! Desisti...
Porque mais um bocadinho desta histeria e começo eu a queixar-me de heterofobia!
Para além de que, muitas destas atitudes contribuem à brava para uma sociedade doente e altamente americanizada, de rótulos e bandeiras hasteadas, em detrimento do próprio nome e da própria personalidade!

P.S: neste preciso momento alguém concluiu "hmmm tanta conversa, tanta justificação está-me cá a parecer que a Susana prescisa de sair do armário" I rest my case...



quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

SMARTDAY

Hoje o meu dia foi tão 80's. O meu telemóvel lerpou! (expressão daqueles tempos)
Como? Como é que vivi metade da minha vida sem ti telemóvel?!? No entanto o desnorte acalmou, porque quem me quis encontrar, afinal, encontrou-me. Liguei para o fixo dos meus pais e até liguei para a tua extensão.
Que liberdade! E aqueles momentos "snapshot" guardei-os atentamente na memória, sem outro remédio, apesar do impulso! Não sei se te vou actualizar o software, smartphone... hehehe
Para ser perfeito precisava de acabar o dia deitada na alcatifa do meu quarto, atrás da porta, colada ao meu telefone em forma de hamburguer, para te contar sobre o beijo que lhe dei, no sábado à tarde, no cinema. Fomos ver o "Império do Sol"! Ele é "um pão"! Mais giro que o Christian Bale...

Ooops! O meu pai mandou-me um berro! Estou ao telefone há mais duma hora! Tenho de desligar...

ESCREVENDO...

Escrevo porque sempre o fiz desde que me lembro...
Escrevo porque desde de pequena que tenho esta mania de ter opinião sobre tudo!
Porque me oiço constantemente escrevo para que não me tenham de ouvir. 

Escrevo para que não me mandem calar!
Escrevo porque é mais democrático, só me lê quem quer!

Escrevendo posso continuar a fazer uso das palavras ao sabor tirano de quem, como eu, delas abusa para registar tudo o que não lhe escapa, tudo o que me rodeia, porque concordo com Ortega y Gasset...
Quem me lê deve concordar que é triste a demissão daqueles que fecham os olhos ou se contêm perante o que lhes toca, o que os intriga ou o que lhes indigna!
Escrevo porque não gosto de armas, mas sou guerreira! 

Escrevo porque não tenho paciência para histerias, mas sou passional!
Escrevo por amor aos verbos que se conjugam nas mãos de quem escreve.
Escrevo para sonhar acordada, para inventar realidades, para viajar nas ideias; escrevo para atiçar o pensamento, para troçar dos costumes, para contrariar os hábitos.
Escrevo para reagir, para revolver o passado, para espelhar o presente e para espreitar o futuro.
Acredito em Deus, mas não custa nada ajudá-lo a eternizar quem somos, deixando escrito...