Um blogue com sintomas de vontade parva de escrever sobre tudo, ou sobre nada. Se o Seinfeld fez uma série nessa permissa eu também posso ter um blogue aí assente, ou não? Um blogue com sintomas de opinião e um prognóstico reservado à liberdade de expressão. Tudo com mais (ou menos, se me apetecer) caracteres do que aqueles que o Twitter me permite e tudo em sede própria, porque o Facebook às vezes cansa-se de mim.
quinta-feira, 6 de março de 2014
A HUVR BOARD OU AS COISAS QUE EU GOSTAVA QUE INVENTASSEM
Esta semana correu por aí um boato virtual sobre a chegada do futuro! Um futuro que nos fazia pairar em cima duma tábua, a 30 centímetros do chão. Loucura!
E eu como fã do Doc e do Michael J. Fox emocionei-me com a novidade! A sério? Já posso? Já posso planar e curvar como se fosse uma pró das manobras radicais?
Não! O estupor do Tony Hawk decidiu gozar com as nossas caras de queixo caído! Só isso!
Como se não lhe bastasse as vezes que nos gozou em cima do skate, fazendo-nos achar que era fácil sacar um 360 Flip… Não sei se te perdoo esta desilusão Tony!
Depois de me recompôr do desgosto desatei a sonhar com mais umas quantas coisas que gostava que fossem inventadas.
Claro que a minha vaidade anseia por soluções milagrosas que ponham termo a dramas estritamente estéticos!
Quantas vezes não desejei ter à mão um frasquinho de verniz cola, capaz de num instante mágico, com uma simples passagem do pincel, reconstruir e fazer crescer na perfeição a unha que parti ao abrir a lata de atum?
E imaginem a alegria meninas, se logo após aquele telefonema dele a convidar-nos para ir à praia pudessemos abrir um frasco e tomar um comprimido que em 5 minutos, no duche, nos fazia cair os pelos de todas aquelas zonas que tanto depilamos!
Mas o meu maior sonho de futilidades é a invenção do Photoshop… em creme! Um pequeno boião que nos apagasse e corrigisse vezes sem conta tudo o que não queremos ver ao espelho! Que sonho!
Desci à terra e ralhei comigo mesma.
“Susana há com certeza coisas mais importantes que gostarias de experimentar, não!?!” Há, claro… Gostava que se “desinventassem” todas as doenças. As mortais. As que não têm cura e nos fazem definhar! Devíamos todos morrer doutra forma; transformarmo-nos em fumo ou em nuvens, como queria o José Gomes Ferreira, “Na morte de Manuela Porto”.
Gostava que “desinventassem” as armas! Que um murro ou um puxão de orelhas bastasse.
Gostava que “desinventassem” o dinheiro. Que as trocas directas nos valessem novamente e que a água e todas as energias fossem um bem comum, acessível ao consumo de todos, duma forma sustentada e responsável.
Mas isto talvez não sejam vontades. Acho que são utopias...
Por isso voltei aos desejos. Ao que eu gostava que fosse inventado...
E aqui voltei à falta de originalidade. Sim, também gostava que se inventasse o teletransporte!
Que as filas de trânsito na ponte acabassem de vez e a praia estivesse sempre ao alcance de um estalar de dedos. Ou que a mesa marcada no restaurante e a noite de copos no Bairro não nos obrigassem a 35 voltas ao quarteirão ou a 40 minutos de espera, mais 24 manobras e 7€ para estacionar no parque!
Também achava muita piada se houvesse uma “bebida de propulsão” que nos permitisse num gesto súbito disparar num salto longo e muito alto, capaz de ultrapassar velhinhas nas ruas estreitas da Mouraria, ou atravessar a Avenida da Liberdade dum lado ao outro sem ter de esperar pelo verde do semáforo. Ou que num instante o salto nos levasse da Baixa a todos os miradouros!
E depois lembrei-me que no primeiro lugar dos meus sonhos de engenharia biomédica está a possibilidade de controlar o volume da nossa própria audição!
Não seria fantástico podermos regular os decibéis do mundo com o poder da mente?
Não mais martelos pneumáticos às 8 da manhã! Não mais remixes da Adele vindos da casa da vizinha! Não mais estórias de vida do palerma do gabarolas que nos ofereceu uma bebida na festa de anos da nossa amiga. Que sonho!
Mas se calhar é melhor eu ficar por aqui, senão ainda algum maluquinho se inspira e inventa uma aplicação de “Shazam de pessoas”…
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