Um blogue com sintomas de vontade parva de escrever sobre tudo, ou sobre nada. Se o Seinfeld fez uma série nessa permissa eu também posso ter um blogue aí assente, ou não? Um blogue com sintomas de opinião e um prognóstico reservado à liberdade de expressão. Tudo com mais (ou menos, se me apetecer) caracteres do que aqueles que o Twitter me permite e tudo em sede própria, porque o Facebook às vezes cansa-se de mim.
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
9 DE NOVEMBRO DE 1989
Eram 8.00 da manhã. Eu tinha 13 anos e ainda ia de mochila às costas para o colégio.
Nesse dia tudo se atrasou e por isso ali estávamos, no banco de trás do carro, eu e o meu irmão.
À hora em ponto começaram as notícias na rádio. Aumentou-se o volume. O destaque ia para a queda do muro de Berlim.
“A sério pai?!” - perguntei com entusiasmo por andarmos os dois em conversas de antecipação. O meu avô ia para lá no mês seguinte e por isso as discussões sobre o assunto andavam vivas lá por casa.
“Sim! Enquanto dormes o mundo vai acontecendo noutros sítios. Ouve com atenção filha. Ouve com atenção, que estás a viver um dos primeiros dias históricos na tua vida. “
Aproximei-me do ombro dele, ali entalada entre os dois bancos da frente, como quem redobra os sentidos para não perder pitada.
Era um dia histórico de facto. Daqueles que alteram o curso de tudo e de tantos.
Mas permitam-me que me lembre desta data como um daqueles momentos que se cravam na memória da cumplicidade com o meu pai. Um dos primeiros. Um de muitos.
Fazes-me esta falta, pai.
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
500 MIL LISBOETAS | AUTÁRQUICAS 2017
Somos sensivelmente meio milhão de lisboetas.
A repetirem-se os valores de abstenção das últimas autárquicas irão às urnas 250 mil alminhas. Mais coisa, menos coisa.
250 mil pessoas vivem facilmente em 5 quarteirões de São Paulo.
250 mil pessoas é facilmente o número de habitantes de um bairro dos arredores de Londres.
Estas ruelas de São Paulo ou esta periferia de Londres vai, no próximo dia 1 de Outubro arrastar-se até ao cubículo mais próximo, para distribuir cruzinhas em três boletins.
À luz das últimas sondagens, 19.995 "xovens do contra" , mais cinco raparigas que o acham lindo votarão no Robles.
Outros 20.000 empedernidos votarão no PC.
40.000 eternos jotinhas votarão na Leal Coelho (Porquê? Não sei!). E 42.500 betos votarão na Assunção.
Restam 102.478 deslumbrados (entre millenials, umbiguistas, egas aburguesados, empreiteiros, patos bravos e santos silvas) mais 22 ciclistas, que irão votar pela primeira vez, num tal de substituto, vindo do Porto, chamado Fernando Medina.
Se isto não é uma maioria (muuuuito) relativa, não sei o que será...
E os outros?
Os outros estão fartos, desiludidos, cansados e esmifrados. E por isso vão à bola, à missa, ao parque, ao Chiado, ao MacDonald's ou ao raio que os parta. É justo!
Mas lembrem-se , que enquanto estiverem a domingar estarão, ao mesmo tempo a permitir que meia dúzia de gatos pingados, vos expulse daqui para fora à conta dos próximos episódios da senda das epifanias de Medina e seu arquitonto Salgado.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
A SOCIEDADE DOS RÓTULOS
Ontem as feministas viralizaram cheias de admiração e
orgulho, o discurso de Ryan Gosling, de agradecimento à sua mulher, que ficou
em casa sozinha a cuidar da criança mais velha, enquanto estava grávida da
criança mais nova e cuidava do irmão, que definhou com um cancro. Sozinha. Sem
o apoio do marido, que por causa deste bastidor pôde ir filmar para longe.
Hoje é o agradecimento de Obama a Michelle, que se tornou viral. Aquela Michelle que, segundo o próprio Barack, abdicou da sua vida profissional, para o apoiar naquilo que não escolheu para ela.
Hoje é o agradecimento de Obama a Michelle, que se tornou viral. Aquela Michelle que, segundo o próprio Barack, abdicou da sua vida profissional, para o apoiar naquilo que não escolheu para ela.
Só para esclarecer e tirar uma teima: feministas da minha
alma, vocês aperceberam-se que se derreteram todas, exaltando o marido que
agradece o apoio duma "esposa recatada e do lar" que escolheu os
bastidores da vida do seu homem, certo?
Não me interpretem mal! Eu admiro, e sempre admirei, estas mulheres. Vocês é que não costumam admirá-las...
Posto isto, quase me entusiasmei, com a oportunidade de vos agradecer a incoerência que continuo, tantas vezes, a constatar na forma dos discursos e movimentos feministas que proliferam. Na forma, mais que no conteúdo.
No entanto, a forma, continua a questionar-me porque tanto refuto o rótulo de feminista. E por isso em vez de agradecer decidi insistir naquilo que prefiro chamar-me: Humanista. Só. (como se fosse pouco)
Porquê? Porque o cor-de-rosa e o azul não me incomodam nada.
Acredito que há dois géneros e que o neutro existe apenas no it da lingua inglesa. Homens e mulheres são diferentes e gosto de exaltar e respeitar muitas dessas diferenças.
Não sou igualitária, porque sim. Mais do que pela Igualdade de géneros, gostaria de ser livre para lutar pela Paridade.
Não me interpretem mal! Eu admiro, e sempre admirei, estas mulheres. Vocês é que não costumam admirá-las...
Posto isto, quase me entusiasmei, com a oportunidade de vos agradecer a incoerência que continuo, tantas vezes, a constatar na forma dos discursos e movimentos feministas que proliferam. Na forma, mais que no conteúdo.
No entanto, a forma, continua a questionar-me porque tanto refuto o rótulo de feminista. E por isso em vez de agradecer decidi insistir naquilo que prefiro chamar-me: Humanista. Só. (como se fosse pouco)
Porquê? Porque o cor-de-rosa e o azul não me incomodam nada.
Acredito que há dois géneros e que o neutro existe apenas no it da lingua inglesa. Homens e mulheres são diferentes e gosto de exaltar e respeitar muitas dessas diferenças.
Não sou igualitária, porque sim. Mais do que pela Igualdade de géneros, gostaria de ser livre para lutar pela Paridade.
Acredito que a importância do Feminismo, na história da
sociedade, reside acima de tudo na conquista da liberdade de escolhas e por
isso refuto a forma como os movimentos feministas deste século me impõem tantas
vezes um guião de condutas e pensamento.
Não acredito, nem quero construir uma sociedade de amazonas. Quero apenas focar-me na construção e evolução duma sociedade par e
respeitadora de cada um.
Acho que quanto mais nos debatemos com as questões de género, mais vincamos as diferenças que desequilibram a sociedade e alimentam as "abébias".
Recuso quotas, datas especiais, paragonas "da primeira mulher presidente do raio que o parta" ou palavras novas tipo femicídio ou cidadona! Não obrigada! Nunca fui grande apreciadora de guetos.
Acho que quanto mais nos debatemos com as questões de género, mais vincamos as diferenças que desequilibram a sociedade e alimentam as "abébias".
Recuso quotas, datas especiais, paragonas "da primeira mulher presidente do raio que o parta" ou palavras novas tipo femicídio ou cidadona! Não obrigada! Nunca fui grande apreciadora de guetos.
Homens e mulheres destacam-se. Ponto. Porque sim e porque
todos fazemos parte. Juntos.
Enquanto andarmos nisto e nestas trocas de galhardetes, continuamos a anos luz da questão principal.
Enquanto andarmos nisto e nestas trocas de galhardetes, continuamos a anos luz da questão principal.
Em tempos, recentes, acreditei que este revivalismo do
Feminismo era essencial na afirmação das diferenças. Depressa entendi que estas
minhas ilusões sobre o que eu achava que seria o caminho natural do tal
Feminismo que tanto urgia descolar-se da caricatura e da percepção pejorativa
que ainda subsiste sobre ele, não ia acontecer.
O tal "ser feminista". Que eu declino, muito obrigada. Sim, sou humanista.
O tal "ser feminista". Que eu declino, muito obrigada. Sim, sou humanista.
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