Quero começar por agradecer aos meus pais a brilhante ideia
que tiveram de me fazer nascer em Lisboa.
Assim foi. Vim aqui parar e mesmo antes do primeiro" buááá" já
me diziam alfacinha de gema por culpa do meu avô paterno que também nasceu por
cá.
Este avô do meu nome apaixonou-se por uma senhora muito parecida com a Ava Gardner, que perseguiu de eléctrico até à Exposição do Mundo Português e ali se apaixonaram à beira do Tejo.
Esta história que sempre ouvi desde pequenina, não seria tão romântica se lhe faltasse a moldura do rio, as pedras brancas dos Jerónimos, o labirinto dos Jardins de Belém, o mundo aos pés no Padrão dos Descobrimentos e a canela dos Pastéis.
Enfim, tudo isto resultou e o que é certo é que se casaram e tiveram um filho que cresceu em Lisboa e que vive esta cidade com a paixão que só um sociólogo consegue sentir pelos pormenores e pelos cantinhos duma cidade e das suas gentes.
A sorte é que esses olhos são do meu pai! E o meu Pai desvendou-me Lisboa ao longo dos meus últimos 39 anos.
Tal como qualquer outra amiga, de vez em quando encontro-me com ela.
Eu e Lisboa costumamos sair juntas. Combinamos muitas coisas.
É certo que nem sempre lhe ligo, mas Lisboa nunca se esquece de mim!
Este avô do meu nome apaixonou-se por uma senhora muito parecida com a Ava Gardner, que perseguiu de eléctrico até à Exposição do Mundo Português e ali se apaixonaram à beira do Tejo.
Esta história que sempre ouvi desde pequenina, não seria tão romântica se lhe faltasse a moldura do rio, as pedras brancas dos Jerónimos, o labirinto dos Jardins de Belém, o mundo aos pés no Padrão dos Descobrimentos e a canela dos Pastéis.
Enfim, tudo isto resultou e o que é certo é que se casaram e tiveram um filho que cresceu em Lisboa e que vive esta cidade com a paixão que só um sociólogo consegue sentir pelos pormenores e pelos cantinhos duma cidade e das suas gentes.
A sorte é que esses olhos são do meu pai! E o meu Pai desvendou-me Lisboa ao longo dos meus últimos 39 anos.
Tal como qualquer outra amiga, de vez em quando encontro-me com ela.
Eu e Lisboa costumamos sair juntas. Combinamos muitas coisas.
É certo que nem sempre lhe ligo, mas Lisboa nunca se esquece de mim!
Há dias em que me perco e me esqueço, mas Lisboa ajuda-me. Lembra-me sempre que os meus olhos verdes não aguentam o seu reflexo sem óculos
escuros. Marca-me as horas nos cafés. Faz-me lembrar da fruta nas mercearias e mata-me a
sede nos quiosques de ferro.
Lisboa brinca comigo. Faz-me subir calçadas deixa-me
descansar nos seus bancos de madeira abre-me avenidas largas e cosmopolitas e
estreita-me em becos, travessas e vielas onde ainda me chamam de minha querida.
Lisboa goza comigo. Prende-me nos jardins enfrenta-me nas cores das fachadas e espreita-me com os óculos de Pessoa ou o monóculo de Eça.
Mas Lisboa faz-me confiar quando me abre as portas do silêncio das Igrejas, quando me guia nas ruas da Baixa, quando se estende aos meus pés num tapete de calcário azul e branco e quando escorrega pelos miradouros.
Lisboa impõe-se quando me deixa sentir-me pequenina e tão sua!
Lisboa goza comigo. Prende-me nos jardins enfrenta-me nas cores das fachadas e espreita-me com os óculos de Pessoa ou o monóculo de Eça.
Mas Lisboa faz-me confiar quando me abre as portas do silêncio das Igrejas, quando me guia nas ruas da Baixa, quando se estende aos meus pés num tapete de calcário azul e branco e quando escorrega pelos miradouros.
Lisboa impõe-se quando me deixa sentir-me pequenina e tão sua!

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