Um blogue com sintomas de vontade parva de escrever sobre tudo, ou sobre nada. Se o Seinfeld fez uma série nessa permissa eu também posso ter um blogue aí assente, ou não? Um blogue com sintomas de opinião e um prognóstico reservado à liberdade de expressão. Tudo com mais (ou menos, se me apetecer) caracteres do que aqueles que o Twitter me permite e tudo em sede própria, porque o Facebook às vezes cansa-se de mim.
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
9 DE NOVEMBRO DE 1989
Eram 8.00 da manhã. Eu tinha 13 anos e ainda ia de mochila às costas para o colégio.
Nesse dia tudo se atrasou e por isso ali estávamos, no banco de trás do carro, eu e o meu irmão.
À hora em ponto começaram as notícias na rádio. Aumentou-se o volume. O destaque ia para a queda do muro de Berlim.
“A sério pai?!” - perguntei com entusiasmo por andarmos os dois em conversas de antecipação. O meu avô ia para lá no mês seguinte e por isso as discussões sobre o assunto andavam vivas lá por casa.
“Sim! Enquanto dormes o mundo vai acontecendo noutros sítios. Ouve com atenção filha. Ouve com atenção, que estás a viver um dos primeiros dias históricos na tua vida. “
Aproximei-me do ombro dele, ali entalada entre os dois bancos da frente, como quem redobra os sentidos para não perder pitada.
Era um dia histórico de facto. Daqueles que alteram o curso de tudo e de tantos.
Mas permitam-me que me lembre desta data como um daqueles momentos que se cravam na memória da cumplicidade com o meu pai. Um dos primeiros. Um de muitos.
Fazes-me esta falta, pai.
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