segunda-feira, 18 de maio de 2015

VELHOS SÃO OS TRAPOS!



Uma senhora pára numa bomba de gasolina self-service, com pagamento por cartão MB. Sai do carro e demora alguns minutos para entender o sistema que com certeza nunca utilizou antes. Afogueado, um jovem dos seus 30 anos sai do seu carro dirige-se à senhora, com maus modos, achando-se, com certeza, imprescindível neste universo e pergunta-lhe se vai demorar muito; se se decide ou não a pôr gasolina?!
Perante isto a vontade que tenho é de lhe pregar duas chapadas e dizer-lhe que, aproveitando que ali está ajude a senhora. Duma assentada fazia alguma coisa de útil e bem feito e despachava a senhora e despachava-se a si próprio, que pelos vistos tem muita pressa de chegar aos atalhos da vida que só ele sabe que o vão desviar do mesmo destino: precisar um dia, que o ajudem!

Um vídeo circula nas redes sociais, mostrando um policia – que em nada honra a sua farda – a agredir um adepto de futebol, duma forma despropositada e violenta, em frente aos filhos, aterrorizados com a cena!
Os ânimos exaltam-se, as opiniões gritam-se, as consequências exigem-se! Todos de atenção voltada para a criança e o seu trauma!
O presidente do clube em causa convida publicamente a criança, para receber a Taça no relvado. Em jeito de compensação!
Ninguém se insurge com o que vi (e mentalmente revejo); o avô da criança levou dois socos à má fila! Parece que ninguém se choca com a violência daqueles dois socos desferidos na cara dum velho!

Um homem de 50 e poucos anos, desempregado e desesperado entra no aeroporto com o seu Curriculum impresso, para distribuir nas lojas e empresas que ali funcionam.
Um homem de olhar esgotado! Um homem com formação técnica e 40 anos de trabalho às costas! Às costas carrega também a sua família, o desespero de não se sustentar e o horizonte de mais 20 ou 30 anos de capacidade e contributo, que a sociedade prefere desperdiçar!

Em dois dias três episódios diferentes ilustram bem a mentalidade vigente contra os mais velhos, neste país!
Em dois dias resumo-me a um silêncio estupidamente pesado e triste!
Em dois dias convivo com um nó na garganta, um nó no estômago, uma angústia que me abala a esperança!
Que merda de mundo é este que chuta para canto os nossos pais? Que apaga da vida os nossos avós?
Que merda de mundo é este que prefere que a vida dos nossos ascendentes, que nos abrem as portas e que nos carregam ao colo seja muda e se evapore?
Com quem, afinal pretende o mundo aprender? Com egos infantis e inflamados? Com gente deslumbrada com a sua idade adulta ou arrogante na sua ilusão de poder?

Não gosto de pessoas armadas em Titanics, achando que atravessam a vida sem se afundar!
Não gosto de gente que não trata das gentes!
Nunca gostei de quem se leva demasiado a sério!
Muito menos duma sociedade inteira, que se tenha nessa conta...

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