quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

SAÍ DO ARMÁRIO!




A propósito de Ellen Page (na publicação anterior)… decidi também sair do armário: sou heterossexual! Não, não sou lésbica! (ooohhhh ouve-se um masculino uníssono…)

Perante o entusiasmo que gerou a assunção de Ellen Page deduzo que a orientação sexual de cada um seja um requisito público.
É que perante os aplausos pergunto: é alguma habilidade? Tipo acrobacia de circo, “allezhops…tcharan”?
Sem deixar de reconhecer que o discurso desta actriz fez todo o sentido, dado o contexto, esta necessidade de afirmação constante de algumas personalidades, do nada, só porque sim, cada vez me soam mais a manobra comercial, tipo vídeo pornográfico da Paris Hilton.
Enquanto uns gostariam de assistir a mais manifestações destas eu sinceramente preferia que isso não fosse necessário! A que propósito é que a vida privada de alguém deve ser exposta desta forma?
Durante anos lutou-se pela diferença, pretendendo-se a igualdade! Durante anos lutou-se contra o preconceito, pondo em causa as pessoas que alteravam os seus comportamentos e as suas condutas para com alguém, apenas por causa da orientação sexual. E concordo, a minha intimidade não vem ao caso na altura duma promoção profissional, ou num atendimento na loja, ou na marcação duma viagem, ou noutro contexto qualquer…
O que é que eu quero dizer com isto? Que igualmente, para mim, também não faz sentido nenhum, que a orientação sexual seja um factor a ter em conta numa entrevista de trabalho, para uma função que dá, verbalmente assumida, preferência a homossexuais (e não, não estamos a falar de go-go dancers. Era uma vaga para vendedor numa loja de roupa). Para mim não faz sentido nenhum a existência de hotéis, praias ou clubes Gay (sítios geralmente fantásticos, porque todos sabemos que um gay tem jeito para estas coisas). A mim sinceramente soam-me a guetos. Se existissem hotéis, praias ou clubes manifestamente hetero, não seria discriminação? Incoerente, no mínimo, não?
Acho que tudo o que é demais enjoa e nos dias que correm em que as discussões sobre esta temática já passaram para outros patamares e finalmente é a igualdade que se discute, estas manifestações arriscam-se a ridicularizar o assunto.
De cada vez que alguém se “assume” lembro-me da Jodie Foster no seu discurso nos Globos de Ouro em 2013, quando se assumiu indubitavelmente…solteira!
De cada vez que alguém se assume penso na Ellen DeGeneres que curiosamente conseguiu um bem sucedido talk show e uma grande reviravolta na sua comatosa carreira à conta da capa “Yep I’m Gay”.

Em suma, já tinha pensado em assumir-me antes! Até porque gostava de participar numa “Orgulho Hetero Parade”… Mas no segundo a seguir antecipei a quantidade de comentários sarcásticos e azedos, apontando-me o dedo e acusando-me de homofóbica! Desisti...
Porque mais um bocadinho desta histeria e começo eu a queixar-me de heterofobia!
Para além de que, muitas destas atitudes contribuem à brava para uma sociedade doente e altamente americanizada, de rótulos e bandeiras hasteadas, em detrimento do próprio nome e da própria personalidade!

P.S: neste preciso momento alguém concluiu "hmmm tanta conversa, tanta justificação está-me cá a parecer que a Susana prescisa de sair do armário" I rest my case...



2 comentários:

  1. Sigo a mesma linha de pensamento mas, tenho um problema...
    Nunca "o" conseguiria descrever desta forma genial.
    Muitos parabéns, miúda :)
    (Pumba! Mais uma fiel seguidora...)

    Abração,
    Ana Ferreira

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  2. Obrigada Ana! E bem vinda! Espero bem conseguir continuar ao que aqui me proponho!
    beijo

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